Projetos de viagens pela América Latina pegando caronas (hitchhiking) pelas estradas.
Halan Pinheiro
Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
Morreu nesse último sábado um jovem de 19 anos. Poeta, ativista anti-carro-pró-bicicleta, morreu atropelado por um veículo em alta velocidade na BR-101 em Parnamirim quando voltava pra a sua casa em Natal de uma viagem que fez pra campina grande. Formiga (Oiran), como era conhecido, participou ativamente de movimentos de conscientização do uso da bicicleta como meio de transporte válido. Formiga, mesmo muito jovem, deixou um legado criativo em suas poesias, textos e experimentos com o teatro. Viajante, cheio de vida, sempre sorridente (como se nota no vídeo), não tinha nenhum inimigo. Voltava pra casa empolgado com as novas descobertas de mais uma viagem, e cheio de planos de sair da casa da mãe finalmente e ir morar sozinho, onde ia montar uma cooperativa com uns amigos de fabricação de coxinha com recheio de caju.
Vai-se o corpo, ficam as ideias... Mesmo de luto, continua a luta!
Armas e Rosas flores em vasos enfeitam as janelas arrancadas da terra, dadas as amadas mortas e machucadas, enfeitam o amor a destruição faz parte até no amor orgões genitais expostos, exalam cheiros e aromas e ainda somos civilizados, ainda somos romanticos temos armas e rosas
- Formiga
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Antes de tudo lembro-os Que escrevo para os vivos Lembro-os que leio para os vivos Eis aqui não um cultivo à morte Eis aqui um puro e gritante culto à vida
Lembro aos vivos Que não precisamos chorar pelos mortos Lembro aos vivos Que precisamos continuar o que eles começaram Lembro-os, que precisamos aprender com seus erros
Vai-se o corpo mas não fica a alma Vai-se o artista mas ficam suas obras Vai-se o ser mas fica o sentimento Vai-se um anarquista nascem vários!
- Halan Pinheiro
Não sei o que fazer para voltar para a natureza, nem sei se é realmente o que quero ou preciso. O que sei é que tenho um desejo mais forte do que eu, talvez seja meu instinto animal. O desejo de correr pelo mundo, sorrir, sentir o vento, quente e frio do planeta, subir montanhas, e correr pelas estradas empoeiradas, fazer sexo com fêmeas de todas as etnias, de terras distantes ou vizinhas. Esse desejo me purifica, me renova. A busca pela sensação, o estímulo de todos os sentidos, e a busca pelo uso completo do corpo em toda a sua essência da natureza. Atrofiamos nosso corpo quando saímos da natureza, não sei se é possível reverter isso, mas como falei, bem fundo no cérebro, ainda resiste um inspirar e expirar animal, o raciocínio rápido de sobrevivência. Muita coisa está ali. Talvez.
...O relato de viajem foi me enfiando dentro de sua mochila e teus sapatos, sentindo calor, frio, alegria, e as vezes fome. Sempre com muita confiança e esperança.
Transmite muito otimismo e segurança, assumindo as dificuldades sem dramatizar e sabendo que podem ser superadas. É uma boa atitude de encarar a vida...
- Roberto (Motorista de Resistencia a Las Toscas, Argentina)