Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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domingo, 27 de setembro de 2009

O mágico

Assim fui apelidado recentemente pelos caminhoneiros na rota Belém-Manaus. Foi um sucesso, recebo o apelido como uma medalha.

Esse blog a tempos não respita mais tão entusiasmado como aquele jovem moço cheio de histórias. As histórias ainda continuam se multiplicando, mas o irmão queridinho desse blog, o meu livro que está em fase final, está tomando muita a minha atenção, e me preocupo muito em escrever o blog em outro estilo que o do livro. Em sinccriado eridade, não ando muito animado com o blog. Mas segue a estrada...

Saí de Belém bem cedo. Peguei um ônibus de R$ 3,00 que paguei R$ 3,50 (por que embarquei na rodoviária e não no meio da rua), até Santa Isabbel. De lá segui estrada. Na saída da cidade ainda no meio, peguei meu primeiro carro. Uma boa carona que me levou até Castanhal. O motorista era um evangélico que quase me pegou na pegadinha:

- Você é católico?
- ..., Fui criado dentro da doutrina católica, minha família é católica.
- Eu sou evangélico - ele disse. Eu pensei: 'puta merda, vacilei'
- Mas meu pai é evangélico... inclusive o Martinho Lutero... - Daí me safei! uffa.

O carro tinha um probleminha no medidor de velocidade, estávamos a 100km/h e o marcador registrava 160km/h! Ele me deixou no posto Pombal II em Castanhal, lá peguei um carro bem confortável com o cara que almoçou comigo, a merda é que ele me levou num canto que a comida era caríssima, R$ 25,00 reais o quilo, paguei R$ 12,00 pelo meu rango. Esse cara me deixou em um trevo, andamos um bocado juntos.

No trevo peguei um carro do tipo lotação daqueles que se pagam, mas não paguei, claro expliquei que queria uma carona! O cara foi muito gentil, e ainda me deu o contato dele. Esse me deixou em capanema, e tudo isso ainda estava de manhã! Viajei tão rápido! Mal parava pra botar o dedo na estrada. Em capanema demorei um pouco mais, mas acho que não mais que quarenta minutos. Até um carro zero no estilo caminhoneta parar pra mim, então foi só seguir no arcondicionado. O motorista se chama Brasil (hehehe), e espero que ele esteja lendo o nome dele agora no blog. Assim que o Brasil me deixou depois de alguns kms viajando juntos, o primeiro carro que passou, isso mesmo, o primeiro carro que passou parou. Isso é inédito pra mim, nunca, mas nunca o primeiro carro para, meu record anterior era o terceiro carro parar, mas o primeiro nunca! É o record máximo, inclusive porque antes da carona desaparecer chegou esse carro (uma outra vez eu desci de um carro e já havia um carro parado, que no começo me negou a carona, mas depois me chamou e me levou, mas esse não conto como record). Essa carona instantânea foi com um senhor escroto que carregava limões galego em uma caminhonete:

- Eu lhe ajudo você me ajuda.
- Carona pra qualquer lugar

Foi esse nosso diálogo, mal pude entender o que isso ia significa depois... tive que raspar as moedas do meu bolso e dar pra esse velho que justificou: 'agora você vai me ajudar, lembra que você disse carona pra qualquer lugar? então eu digo, qualquer trocado serve', dei R$ 1 real pra ele.

Depois disso me despedi do açai com uma tigela de 1 litro que tomei na beira da estrada com bastante farinha, me custou R$ 3,00. Tomando açai, tive contato com um caminhoneiro o qual tinha passado por mim mais de três vezes segundo ele. Daí o apelido de mágico! Depois de me negar carona umas três vezes quando cruzou meu caminho, dessa vez, olho no olho, eu nem pedi carona com a minha boca, ele ofereceu, ele e o parceiro dele. Essa foi a carona de ouro, aquelas caronas que te adiantam muiiitos km. No posto fiscal encontrei outros caminhoneiros, que também se admiraram com minha presença e perguntou se sou um mágico. A carona de ouro me deixou em Santa Inês, num posto fiscal com um posto na frente, lá foi minha casa naquela noite, minha barraca tava tão confortável (que quando acordei já estava o dia claro)!!! Esperei um pouco mais de meia hora e um loucão parou pra mim. Esse carregava sofás. Era bem louco o cara, o ajudei a fazer algumas entregas. A primeira deu errado, a segunda descarregamos 50 sofás na cabeça, desses 50 15 ainda botamos de volta no caminhão. Era muito engraçado as porrada que a gente dava nos sofás, nas quinas, dando queda, e o dono da loja quase chorando. O caminhoneiro era loucão, mais que eu, e botava pra torar derrubando os sofás, éramos dois barbeiros. Mas mesmo assim fizemos a descarga em uma hora e meia. Ele me pagou o almoço e me deu R$ 10,00. De lá peguei um carro do tipo lotação (carona), que me deixou em Caxias. Em Caxias esperei em um ponto ruim inutilmente, então mudei de lugar, e em meia hora me veio um carro, que me trouxe até Teresina! Quase não caminhei nessa viagem, e viagei numa velocidade respeitável!

domingo, 6 de setembro de 2009

Pós-sonho

Estou fazendo alguns textos pós-sonho algum tempo. Segue o texto que produzi hoje:

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Tive um sonho louco....

Eu estava nos Estados Unidos viajando em algum lugar. E um caminhoneiro que me levava me deu seu caminhão. Eu como não sabia dirigir resolvi soltar o caminhão na ladeira e fui na caçamba do caminhão enquanto ele descia ladeira a baixo. Soltei o caminhão de lado quase de ré, era a única forma dele não descer muito rápido e perder o controle (ninguém ficou na cabine).

O caminhão seguiu livre como uma folha na água, e entrou em uma encruzilhada que nos levou até um túnel onde não podia mais passar. No caminhão estava eu e meu amigo Bio. Saímos do caminhão, armamos uma rede dentro do túnel e fomos dormir. Daí vem dois caras do outro lado do túnel e encurrala um outro, e atiram no encurralado e o matam.

Eu e Bio reagimos naturalmente, mas Bio tinha conversado alguma coisa com o moribundo antes de o encontrarem e dele ter levado o tiro. Mas eu tinha conquistado a simpatia de um dos assassinos. Resolvi sair da rede e sair do túnel, pois ouvia a sirene da polícia e imaginava ela chegando. Um dos assassinos veio comigo e pretendia me seguir, ele gostava de minha companhia, queria me proteger, estava armado. Enquanto Bio ficou pra trás pra enterrar o morto. Voltei pra convencer Bio de sair daquele lugar, e ele veio comigo. Depois convenci o assassino a ir embora, e ele foi.

Seguindo em frente, encontramos um barco supostamente abandonado. Entramos e nos deitamos nele. Algumas de nossas coisas tinha caído na água, mas recuperamos tudo. No barco ajeitamos as coisas, separamos as roupas sujas das limpas, contamos o dinheiro, e decidimos ir comprar algo pra comer. Ou melhor, Bio decidiu. Ele queria ir comer. Mas antes de se levantar, o barco saiu.

Do outro lado do barco haviam duas europeias que pareciam vagabundas como nós. Elas se preocuparam quando o barco saiu, parecia ter buscado abrigo lá também como nós. Então eu saí do barco e fui pendurado até a cabine, onde um homem grande e loiro com cara de gringo pilotava.
- Quanto custa? - perguntei com o inglês mais horrível de todos
- ... - A resposta dele era impossível para mim entender, era falante de um inglês que eu nem de longe decifrava.
Mas depois de muito tentar, entendi que custava quinze ou vinte.
- Pra onde vai?
- Europa! - ele disse.
- Europa Itália, Alemanha, Portugal?
- Não, logo ali, Europa é uma cidade.
- Muito longe?
- Depois da ponte
Qualquer coisa que é depois da ponte (que eu posso ver) não é longe o suficiente pra que eu pague vinte (seja reais, dolares ou o que for). Descemos saltando da embarcação e alegamos que não íamos. Como nós eramos os únicos passageiros (nós quatro), ele encostou a embarcação e cancelou a viagem. Bio foi comer, e uma das europeias foi com ele, enquanto a outra ficou perto de mim. No lugar que descemos tinha uma pequena praça coberta. Lá encontrei o piloto do barco, que foi muito simpático comigo, e ficou muito animado com minhas histórias quando eu disse que estava viajando de carona por aí. Encontrei um conhecido meu do Alasca e um homem muito bonito que também era americano (talvez um ator de holywood), ele tinha um pouco de jeitão de vagabundo. Lá conversamos a toa, mas eu procurei arrancar informações sobre as estradas que haviam ali perto. Basicamente haviam duas, e decidi apostar em uma. Alguns mendigos chegaram no lugar, e eles eram bêbados bem acanalhados, cuspiam saliva enquanto falavam, e falavam português no que tentava entender o idioma local (inglês). Nessas alturas eu já tinha recuperado meu inglês e já falava e entendia todos. Os mendigos eram brasileiros.
Com a informação de que tinha uma estrada próximo, me levantei e com um beijo no pescoço da europeia eu fiz ela me seguir...

06 de setembro de 2009