Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Salmo Mágico


Porque o mundo está à beira do abismo e ninguém sabe o
que virá depois
Ó fantasma que minha mente persegue de ano para ano
desce do céu para esta carne trêmula
colhe meu olho fugitivo no vasto Raio que não conhece
limites – Inseparável – Mestre
Gigante fora do tempo com todas as suas folhas caindo -
Gênio do Universo – Mágico do Nada onde nuvens
vermelhas aparecem -
Indizível rei das rodovias que se foram – Ininteligível
Cavalo saltando fora do sepulcro – Poente sobre a
grande Cordilheira e inseto – Cupim -
Lamentoso – Riso sem boca, Coração que nunca teve
carne para morrer – Promessa que não foi feita -
Consolador, cujo sangue arde em um milhão de ani-
mais feridos -
Ó Misericórdia, Destruidor do Mundo, Ó Misericórdia,
Criador das Ilusões Acalentadas, Ó Misericórdia,
arrulho cacofônico da boca quente, Vem,
invade meu corpo com o sexo de Deus, sufoca minhas
narinas com a infinita carícia da corrupção,
transfigura-me em vermes viscosos de pura transcedên-
cia sensorial, ainda estou vivo,
grasna minha voz com o mais feio que a realidade,
um tomate psíquico falando-Te por milhões de
bocas,
Alma minha com miríades de línguas, Monstro ou Anjo,
Amante que vem me foder para sempre – véu banco
do Polvo sem Olhos -
Cu do Universo qual deaparaço – Mão Elástica que fa-
lou com Crane – Música que toca na vitrola dos anos
vinda de outro Milênio – Ouvindo dos edifícios de NY
Aquilo em que acredito – que vi – procurei incessante-
mente na folha do cachorro olho – sempre culpa, falta,
- o que me faz pensar -
Desejo que me criou, Desejo que escondo do meu corpo,
Desejo que todo Homem conhece Morte, Desejo ul-
trapassando o mundo Babilônico possível
que faz minha carne sacudir-se em orgasmos do Teu Nome
que não conheço nunca conseguirei nunca dizer -
Dizer à Humanidade para dizer que o grande sino toca
um tom dourado nos balcões de ferri em cada mi-
lhão de universos,
eu sou Teu profeta volta paa casa paa este mundo para
gritar um insuportável Nome pelo odioso sexto dos
meus 5 sentidos
que conhece Tua mão em seu falo invisível, coberta pe-
los bulbos elétricos da morte -
Paz, Solucionador onde embaralho ilusões, vagina de
Boca Mole que entra no meu cérebro por cima, Pom-
ba da Arca com um ramo de Morte

Enlouquece-me, Deus estou pronto para a desintegração
da minha mente, desgraça-me no olho da terra,
ataca meu coração cabeludo come meu caalho Invisível
coaxar do sapo da morte salta em mim matilha de
pesados cães salivando luz ,
devora meu cérebro fluxo Uno de interminável cons-
ciência, tenho medo da tua promessa devo fazer que
minha oração grite no medo -
Desce Ó Luz Criador & Devorador da Humanidade, arre-
benta o mundo em sua loucura de bombas e morticínio,
Vulcões de carne sobre Londres, em Paris uma chuva de
olhos – caminhões carregados de corações de anjos
para lambuzar as paredes do Kremlin – a caveira de
luz para Nova York -
miríade de pés recobertos de jóias nos terraçoes de Pe
quim – véus de gás elétrico baixando sobre a Índia -
cidades de Bactéria invadindo o cérebro – a Alma
escapando para as ondulantes bocas de borracha do
Paraíso -
Este é o Grande Chamado, esta é a Toxina da Guerra
Eterna, este éo grito da Mente assassinada na Nebu-
losa,
este é o Sino Dourado da igreja que nunca existiu, este é
o Bum no coração do raio do sol, esta é a trombeta
do Verme na Morte,
Apelo do arcanjo castrado sem maos Doaçao da semen-
te dourada do futuro pelo terremoto & vulcão do
mundo -
Sepulta meus pés sob os Andes, esparrama meus miolos
sobre a Esfinge, hasteia minha barba e cabelo no
Empire State Building,
cobre minha barriga com mãos de musgo enche meus
ouvidos com teu clarão, cega-me com arco-íris pro-
féticos
Que eu prove finalmente a merda de Ser, que eu toque
Teus genitais na palmeira,
que o vasto Raio do Futuro entre pela minha boca para
fazer soar Tua Criação Eternamente Nao-nascida, Ó
beleza invisível para meu Século!
Que minha oraçao ultrapasse minha compreensão, que
eu deposite minha vaidade a Teus pés, que eu não
mais tema o Julgamento de Allen neste mundo
nascido em Newark chegado para a Eternidade em Nova
York chorando novamente no Peru pela definitiva
Língua para salmodiar o Indizível,
que eu ultrapasse o desejo de transcendência e entre nas
calmas águas do universo
que eu cavalgue esta onda, não mais eternamente afoga-
do na torrente da minha imaginação
que eu não seja assassinado pela minha própria doida
magia, crime este a ser punido nos piedosos cárceres
da Morte,
homens entendei minha fala fora de seus próprios cora-
ções turcos, ajudem-me os profetas com a Procla-
mação,
que os Serafins aclamem Teu Nome, Tu subitamente em
uma imensa Boca de Universo fazendo a carne res-
ponder.

1960

Allen Ginsberg

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Processo criativo...

Oi, para quem acompanha esse blog. Atualmente me encontro em Manaus, e pretendo ficar por aqui como que por um mês. Sair daqui, só de navio ou avião. Claro que avião não me seduz, então será mesmo por rio, mas para onde ainda não sei.
Agora pretendo passar alguns dias, não muitos sem escrever aqui, pois estou em uma fase de processo criativo, e tou reunindo todas as inspirações possíveis no material que escrevo em paralelo a esse blog o qual intitulei 'Onde que fica a saida?' e pretendo publicar em breve no formato de livro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Navegar é preciso

Tempos corridos... A Theresa acabou desertando por ter lá seus motivos pessoais e uma certa pressa incomum de chegar. De repente me vi sozinho em Teresina e na eminência de mais uma depressão de viagem, algo semelhante ao que passei algumas vezes da outra vez que saí por aí.

Diante dessa questão, resolvi fazer bem ao meu estilo. Descobri que o próximo barco que sairia para Manaus só iria sair na terça. E não contei duas vezes, peguei o ônibus no Domingo, ainda na espectativa de achar a Theresa em Belém.

Fiz uma curiosa manobra que me rendeu uns R$ 14,00 da passagem que iria ser R$ 100,00. Primeiro, resolvi ir pra a rodoviária de Timom-MA ao invés de ir na de Teresina-PI, o preço não mudou. Também não achei os tais ônibus clandestinos. mas a economia veio quando entendi que eu podia pegar um ônibus pra Santa Inês, de lá ainda embarcar no mesmo ônibus que me cobrava R$ 100,00 a partir de Timom. Assim fiz e cheguei de madrugada nessa cidade. Ainda testemunhei um covarde roubo: um maluco que arrancou R$ 20,00 das mãos de uma moça que pagava a passagem. Já embarcado no outro ônibus, tudo o que eu tinha que fazer era dormir e imaginar o que fazer ao chegar em Belém.

Belém parecia uma cidade fantástica, cheia de sabores, figuras e formas, mas eu não queria experimentar isso em uma noite perdido na rua sem ter um teto pra dormir, daí não contei conversa, fui logo atrás do tal barco, que seria o primeiro e único, por isso provavalmente Theresa estaria nele. Lá estava eu em mais uma corrida bizarra de viagem.

A notícia de que eu poderia dormir no barco, mesmo antes dele sair me alegrou, pois iria economizar com o albergue. Paguei exatos R$ 180,00 pela passagem Belém-Manaus, a mesma não me dava direito a nada a mais. Me falaram que eram 4 dias de viagem. Mas depois me falaram que eram 5. De qualquer forma, eu sabia que teria que comer durante 4 ou 5 dias as minhas custas e na base do monopólio.

Me alertaram que o bairro do porto que eu iria embarcar era o pior que existia, eu não deveria nem olhar pra os lados antes de entrar no porto. Depois que entrei no porto, tentei sair pra usar internet ou comer algo, e me deixaram entender que isso era praticamente suicídio. Encarei tal suicídio e saí (como se fosse o primeiro que encaro), o barro realmente tinha um aspecto único. Conheço favelas de muitas cidades, mas essa tinha um tom especial. Com muitíssimo lixo misturado com água, um esgoto a céu aberto que talvez fosse parte de um rio, passava por debaixo das casas que eram construídas de madeira sobre essa vala. Não era fácil entender onde começava uma construção e terminava outra ou até mesmo onde era a porta de entrada de cada casa. Ainda bem que ninguém mecheu comigo. E nessas alturas eu já tinha começado minha embreaguez alcoolica.

A primeira noite no barco, ainda atracado, foi brindada com muita fartura entre cerveja e vinho e uma perturbada noite embreagada junto com meus novos amigos que embarcara junto comigo. No dia seguinte, esperávamos a grande partida, um dia movimentado onde chegaria gente de todo canto e iriam lotar aquele barco ao máximo. Eu mal podia esperar. Tudo aquilo me encantou bastante.

No dia seguinte a ressaca não veio, ao invez dela, uma parcela da embreagez ainda me agitava. E a bebedeira começou logo cedo. Enquanto olhávamos os novos passageiros e nossos companheiros nos próximos 5 dias. Enquanto subia gente toda hora e paravam taxis entregando mais passageiros, vários homens suados trabalhavam sem parar carregando o barco desde o porão até uma parte do primeiro andar. Todo mundo corria de um lado para o outro.

Haviam dois grandes dormitórios, no primeiro andar e no segundo, que eram salões onde es expremiam umas 150 redes em cada um, era lá onde eu iria. É claro que tinhamos nossas divisões de classes, e isso se fazia atravez dos camaoretes que sabe-se lá quanto custou, onde a maioria dos ocupantes eram gringos no centido mais perfeito da palavra. A noite da partida foi de pura embriaguez também. E tive a brilhante idéia de traficar vinho, e fiz da forma mais anarquista possível. Pedi dinheiro a todo mundo, comprei um monte de garrafa de vinho, escondi na minha mochila e saí discretamente distribuindo pra todo mundo no barco (teve até quem pensasse que eu era tripulante). Algumas garrafas foram parar na gerência, mas nada que atrapalhasse a festa. A noite o bar do navio quebrou a monofonia do calipso/melodi/tecnobrega e resolveu tocar Michael Jackson, foi uma louca embreaguez em meio aos balanços do rio.

Os dias que se seguiram, só água e floresta. As pessoas do barco se aproximavam cada vez mais umas das outras e se envolviam. Cada um com sua própria história de vida. Muitos levavam tudo que tinha em busca de uma nova vida. Outras iriam apenas tentar vender algumas coisas pra voltar com dinheiro. Uma coroa iria encontrar um namorado que conheceu no orkut. Uma ex-casada estava trazendo seu filho de volta. Um ex-presidiário buscava vida nova. Um assassino fugia da culpa de um assassinato depois de uma briga no Maranhão. Assim seguiu nosso barco.

De Belém a Santarém muitas canoas nos seguiam jogavam ganchos para se parelhar a nós, daí entravam no barco e vendiam açaí e camarão, recéns tirados da floresta. Foi reslmente uma experiência única pra eu que tudo que conheço são essas estradas e asfaltos flamejantes do sul do nosso continente. Além dessas, algumas canoas também se aproximávam, e crianças e mulheres com caras tristes pareciam acenar dando chau, mas me explicaram que aquilo era o sinal de 'esmola'. E do barco muita gente jogava coisas, pacotes com roupas, balas e etc... Um argentino malabarista me falou uma coisa que chamou a atenção:

- Eles não são pobres, nem necessitados, eles tem a floresta e ela é muito rica, eles tem tudo, comem bem. Eles apenas não tem nossos venenos, celulares, computadores. Mas veja, até canoas eles tem!

E isso é uma verdade. Com certeza não é o mesmo caso que eu vi no Nordeste.
No total foram 6 dias rio a dentro, e não 5 como previsto. Fiz muitas amizades, mas nem sinal de Theresa.

domingo, 12 de julho de 2009

Merdas acontecem...


Nunca andei de barco, muito menos na floresta amazônica. Sei que a possibilidade de merda é pequena (ou não), mas não tou tenso, só curioso. Encontrei esse vídeo bem ao estilo humor negro, só pra descontrari... segue...

Voando na pipa

Ano passado ao descrever alguns de meus sonhos na estrada ou nas vésperas das estradas, meus leitores sugeriram algumas possíveis interpretações para meus sonhos.

Eu não acredito em sonhos que fazem previsões, mas acredito que são ecos de nossos pensamentos. Aí vai mais um sonho que tive, quem sabe vocês entendam melhor do que eu o que se passa nesse meu quengo.

Nas vésperas de minha viagem pra Fortaleza, eu sonhei que voava preso em uma pipa. Isso me causava espanto e alegria, mas eu mantinha um medo de não ter o controle a pipa, e por isso tinha medo de voar muito alto pois temia não saber pousar e se acabar no chão. A pipa voava rápido e sempre em linha reta, e eu olhava pra os outros que ficavam pra trás sorrindo e com satisfação, enquanto os outros admiravam meu feito. O sonho não teve fim, nem voltei a tocar o chão, pois acordei prematuramente e isso é tudo o que me lembro.

sábado, 11 de julho de 2009

Pensei que já tinha visto de tudo!

Oi meus queridos leitores. Espero que não tenham me abandonado depois do largo período de baixa publicação do blog devido a meu repouso temporário em Natal. Agora estou de volta nas estradas! E o blog está cada dia mais maduro. Continuo recebendo e-mails do mundo todo de vocês que me lêem e isso me serve de combustível para continuar.

Agora na minha segunda empreitada, que teve um começo inesperado mas foi interessante. Decidi partir de manhã, e viajei de noite. Viajei de ônibus! Mas não abandonei minhas origens, a viagem às pressas e de ônibus tem uma nobre justificativa... Tive que encontrar com uma amiga, que foi na frente de ônibus pra Fortaleza. De lá iríamos em linha reta até o Peru, onde ela tinha um vôo marcado pra os Estados Unidos, onde ela mora.

A viagem foi de madrugada e sem imprevistos. Cheguei no tempo certo. Nos encontramos pela manhã na rodoviária e um amigo nos deu uma carona até a estrada. A saída que fomos era pela Caucaia, perto de Fortaleza, pela BR-222.

O frio da primeira carona é sempre muito empolgante. Alguns minutos na estrada, e para nosso caminhão! Ele não ia muito longe. Mas nos deixou em um posto de gasolina mais movimentado e nos deu o seu nome e a empresa em que trabalha, pra que eu pentelhasse os colega de trabalho dele. Já nesse novo posto, ninguém quis nos levar. As histórias de sempre: 'não posso' ou 'não cabe'. Minha parceira a adorável Theresa Kim, se mantinha sempre sorridente e firme, apesar de ser praticamente sua primeira vez na estrada.

Foi na beira da estrada onde encontramos nossa saída dali. Um carro pequeno, e com apenas mais duas vagas, colocou nossas mochilas dentro do porta-malas e nos levou. Theresa não fala português, então tive que falar por mim e por ela. Mas sempre acabávamos transformando os assuntos em aulas de português. O motorista depois nos revelou que era um vereador, e até os ofereceu sua casa caso não conseguíssemos sair daquela cidade a tempo.

Almoçamos nessa cidade que não lembro o nome (eu estou sem mapa). Comida Cearense, hummm. A Theresa como sempre colocou alguns litros de pimenta na comida dela, o que acaba chamando atenção geral. A comida nos custou R$ 4,00 cada prato, e uma Cajuina nos custou R$ 2,00. Os R$ 4,00 do almoço foi pechincha pois o preço anunciado era R$ 5,00.

De volta a estrada, nos para outro carro. Nos entupimos dentro dele com nossas mochilas. A mochila da Theresa era do tamanho de uma mochila escolar (a minha continua grande). Dessa vez o assunto foi aula de inglês, o tema era:
'Como conquistar uma gringa'. Os simpáticos rapazes nos deixaram em uma cidade próxima. E deu pra entender que eles foram até aquela cidade exclusivamente pra nos ajudar, pois desviaram um pouco o caminho deles. Eu e a Theresa definitivamente formamos uma dupla muito carismática.

Atravessamos a cidade caminhando. Paramos em um posto e foi de lá que saiu mais um carro. Esse era um homem gordo dirigindo e uma senhora com uma criança atrás. Seguimos desviando os buracos e admirando a paisagem impressionante que nessa época do ano está bem verdinha. Quando descemos, eu percebi que a senhora pagou um dinheiro pra o motorista e que ele apesar de nos ter dado uma legítima carona, ele fazia lotação e cobrava por isso. Nem falou sobre dinheiro conosco, ainda bem.

Já nessa cidade a coisa fai mais difícil.(esse post tá ficando engraçado com todas essas cidades anônimas, mas isso é o resultado de viajar sem mapa) É que estávamos meio que na entrada da cidade, e não na saída. Resolvemos isso com uma boa caminhada. E já na saída nos parou um carro aberto. Jogamos nossas mochilas atrás, e a Theresa veio no meu colo. Dessa o nosso motorista era um micro-empresário, trabalhava com informática, o que ajudou bastante na nossa empatia. Ele nos levou pra a nossa cidade de dormida, essa eu lembro o nome - Sobral - terra da ilustre cantor Belchior, quem já teve vídeos e textos aqui no blog, Sobral também é a terra do Didi, o Renato Aragão.

Sobral era uma cidadezinha gostosa, grande e pequena ao mesmo tempo. Não tivemos tempo de perambular muito por ela. Só conhecemos o caminho da lan house e da padaria, onde encontramos uma sopa de R$ 1,95. Sopa é uma boa pedida pra viajantes vagabundos com poucos trocados no bolso. Decidimos comprar um pacote de leite pra ser nosso café da manhã, combinamos que seria nossa única refeição matinal de amanhã.

Dois moto-taxi nos levaram por R$ 2,00. No caminho o motoqueiro comentou comigo:
- Todo cara que vem de Natal é mala. - ele se referia à minha condição de vagabundo-andante-new-beatnick e seguido por uma linda oriental que não fala português e parecia ter uma grande afeição por mim.

Fomos deixado em um posto de gasolina horrível, cheio de prostitutas de travesti. Não era com certeza um bo lugar pra acampar. Mas fomos informados que logo a frente tinha um outro posto muito mais bem frequentado. E de fato era, muitos caminhões e um lugar razoável pra colocar minha barraquinha.

A surpresa da viagem veio no dia seguinte. Depois de muito tempo insistindo em frente ao posto sem sucesso, e de descobrir que nosso café da manhã, o leite, estava azedo (comemos biscoito), seguimos até o tal posto que antes estava cheio de putas. Agora ele era o ponto ideal pra pedir carona. A surpresa demorou mas chegou, nossa carona em um caminhão bi-trem habilimente pilotado por uma mulher! Isso mesmo! E pra completar nossa felicidade, ela ia pra Teresina, nosso próximo destino. A viagem seguiu divina com boas conversas, boas músicas e um caminho difícil por cima de uma cerra com vários trechos com deslizamento.

Em um posto que paramos pra comer alguma besteira. Me ofereceram uma tal de uma enraizada, e ainda me deram um chá poderoso que servia pra melhorar a capacidade de ereção do homem. Caramba... sem comentários! A viagem acabou bem, chegamos de noite em Teresina. Onde aproveitamos uma festinha particular de alguns amigos.

No dia seguinte, pra minha tristeza a Theresa decide me deixar. Devido a problemas nos Estados Unidos, ela foi obrigada a chegar mais cedo em casa, e tomou um ônibus pra Belém.

Agora estou novamente só, em Teresina, e me preparando pra Belém! Pesquisei sobre as formas de transporte de lá pra Manaus, e esse trecho terá que ser feito realmente por barco. Será que conseguirei caronas?

(As fotos desse trecho que fizemos de Fortaleza a Teresina estão com Theresa, vou pedir pra ela e posto em seguida.)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mapa de amanhã!


Exibir mapa ampliado

Ainda sem tempo pra postar textos maiores. E repensando no formato do Blog.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Novas estradas!

Estou rumando hoje pra o norte! Não sei o que me espera, mas de estrada já conheço um bocadinho. Primeira direção: Lima - Peru.


Novidade: http://twitter.com/halanpinheiro