Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

A gente é da comunidade!

Produção independente sobre 'Os cão':



Obrigado blog Derochas por divulgar o vídeo.

Na sequencia, o vídeo do jornal Tribuna do Norte:

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Os cão" invadem as ruas da cidade!

Infernal!









Precisa escrever algo?


Clipping:
Tribuna do Norte
Diário de Natal
Notícias do RN
Blogo do Canindé Soares
Blog do Wagner Accioly
Blog das Ruas
Zona Norte em Foco
No minuto


Plágio!


O bloco "Pretinhos do mangue", surgiu em 1989, em Curuça (PA). Dizem que surgiu quando alguns amigos resolveram ir no mangue pegar caranguejo para tira-gosto, e não os encontraram. Daí, desfilaram de lama em protesto. O bloco 'pretinhos do mangue' tem apenas 20 anos, ou seja, acaba de sair da adolescência. O original, pioneiro, e talvez único em magnitude bloco "Os cão" da redinha completa esse ano seus incríveis 44 anos! Não compreendo porque que a globo só mostra os "pretinhos", e ignora por completo "os cão".
"Os cão", "Pretinhos do mangue", ambos são manifestações populares autenticas da América do Sul, e tem todo o apoio e admiração desse blog.

Mais informações sobre o bloco dos cão, no post anterior...

E pra fechar bonito a matéria, uma celebre frase que ouvi ano passado:

"É cão que só a porra!"

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Entrevista adiada.

A entrevista de hoje foi adiada para amanhã. O carnaval me tirou o fôlego, a próxima matéria falará como foi esse carnaval infernal...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Os cão na cidade do Sol!


- Parece uma tropa infernal, em pleno calor ardente tanto no céu, quanto no asfalto, alguns a cavalo, ou em carruagens, eis os 'cão'. Aos gritos e esperneios, é realmente uma visão demoníaca! As peles negras brilhando sob o sol, onde corpos com chifres, asas, e formas não-humanas se misturam e se confundem entre si.


Aí está o bloco dos cão de Natal! Sem dúvida o mais tradicional, o mais louco e alternativo de todos. Quando criança, via na TV as imagens a cada ano de mais um desfile do bloco dos cão. Nos últimos anos, vim tentando participar, e, ou não sabia o dia, ou não sabia a hora, ou não sabia o local, passei vários anos me desencontrando ou até mesmo esquecendo, e adiando a antiga vontade de participar dos cão. Ano passado, cheguei em cima da hora, mas finalmente cheguei a tempo de me integrar a horda infernal...

Diz a lenda, que tudo começou em 1965, onde um morador do Praia da Redinha, inspirado pela legítima cachaça brasileira, resolveu entra na lama do mangue e se 'fantasiar'. Ele voltou completamente preto e coberto de lama. Seus amigos que estavam bebendo com ele, ao ver a brincadeira, resolveram fazer o mesmo. Todos coberto de lama sairam pelas ruas da Redinha. E isso foi se repetindo ano a ano, e a cada ano, mais amigos se integravam ao grupo. A população olhava tudo de longe e comentavam: 'Lá vai os cão!', 'Parece os cão direitinho!', 'Os cão, os cão!'. Os integrantes saiam então nas casas arrecadando bebida e comida, e no final dividia entre todos os cão.

E assim nasceu o mais tradicional, o mais preto e o mais ousado bloco carnavalesco da cidade. Dos anos 90 pra cá, o bloco dos cão da redinha começou a tomar proporções de milhares, e recentmente já conta com o apoio de bandinhas de frevo da prefeitura e bandas de batucada (Banda Pau e Lata).

Esse ano, eu vou com certeza! Desde que estava no Chile, que lamentava perder essa festa. Para quem quiser participar, segue as informações:

Bloco os Cão da Redinha
Terça-feira de carnaval, dia 24 de fevereiro.
A partir das 8:00 da manhã.
Local, debaixo da ponte Forte-Redinha, no mangue, na Praia da Redinha.

Ponto de encontro dos amigos e leitores do blog:
8:00 da manhã, na entrada da ponte Forte-Redinha, na Praia do Meio.


Dicas importantes!

  • Leve sandálias! Pois tênis é complicado usar na lama, e descalço não se suporta o asfalto quente.

  • Leve uma sacola pra guardar as roupas limpas, ou vá de carro. Levar mochila é um tanto inviável. O idéal é uma sacola de supermercado mesmo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Amanhã no Globo Reporter...



Não, não aparecerei no Globo Reporte amanhã. Tampouco falará sobre caroneiros... Mas só pra variar um pouco, o programa de amanhã falará novamente sobre as maravilhas da América do Sul, que pra mim vem sendo um dos lugares turísticos mais badalados do mundo. Mais uma vez a historinha do deserto de sal, dos povos que vivem flutuando na água (que já me comentaram que viraram uma palhaçada turística) e as coitada das Llamas.

A reportagem é legal, eu já a vi. Mas o que gera é uma merda: exércitos de jovens juntam aqueles dolares que estava economizando ou o pai deu de presente, e fazem aquele famoso 'mochilão' pelas terras incas, falam inglês (o que é ridículo, se tratando de América do Sul), e saem em seus sonhos do consumos - 'Viver o que viram na TV', a mais nova onda. Viva Machu Pichu!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Saí no derochas.blogspot.com


Acabo de saí no blog derochas.blogspot.com. Conversamos sobre curiosidades sobre a viagem, pespectivas de vida, opniões, e em exclusivo, sobre o livro que estou terminando de escrever.



Segue o link da entrevista.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Entrevista com David da Colômbia

Demorou mas está aí. A entrevista com o David da Colômbia. O cara viajou de carona pelas estradas do Peru e Bolívia e outros países do norte da América do Sul. Fez isso quase sem dinheiro.

"Gastei 1 dolar por dia!"
- David da Colômbia


"No Equador, viajei em um carro da polícia."
- David da Colômbia





"...as vezes passava um carro a cada 30 minutos."
- David da Colômbia




Halan Pinheiro: Faz quanto tempo que você viaja de carona?

David da Colômbia: Desde março de 2008

Halan: Viaja frequentemente de carona?

David: Sim, fiz uma viagem pela América do Sul de carona

Halan: Durou quanto tempo?

David: A viagem pela América do Sul foi 4 meses

Halan: Quais países você passou nessa viagem?

David: Colômbia, Equador, Peru e Bolivia

Halan: Como surgiu a idéia?

David: Conhecer gente, viajar sem rumo fixo, sem planos, sem horários

Halan: Tinha uma idéia de quais paises, ou foi totalmente sem idéia?

David: Sem idéia. Futuramente eu vou pra Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai

Halan: Sua primeira vez foi em uma grande viagem então. Como foi tudo isso, como foi de fato sua primeira vez?

David: Antes da viagem pela América do Sul, não tinha viajado de carona nunca. Daí, decidi fazer um treinamento. Fui de carona a uma cidade que fica a 260km daqui. Foi uma experiência muito boa, um caminhão super grande, desses que tem 22 pneus, me levou. Foi incrível, o caminhoneiro super gente fina.

Halan: E como foi na Bolívia e no Peru? Tem poucas estradas, e quase nenhuma tem asfalto (pelo menos é o que se fala)? Como é na realidade, como foi viajar de carona lá?

David: Sim, tem asfalto. Mas no Peru tem muito pouco tráfico, principalmente nas serras/montanhas, as vezes passava um carro a cada 30 minutos.

Halan: E água, tinha fácil?

David: Sim, tinha água. Mas não era potável, tem que ferver antes de tomar. Ou então compra água em algum mercado.

Halan: Também falam que os bolivianos e peruanos costumam pedir dinheiro pra te dar carona... como é isso?

David: Algumas vezes os caminhoneiros no final da viagem me cobravam. Mas eu dizia que não tinha, que por isso que viajava de carona. Que se soubesse que ia cobrar não tinha aceito a 'carona'.

Halan: E nunca teve problema com isso?

David: Não

Halan: Você viajou com pouco dinheiro ou com dinheiro suficiente para os 4 mêses de viagem?

David: Pouco dinheiro. Gastei 1 dolar por dia!

Halan: Como que fazia para comer e dormir?

David: Pra comer, muita gente me convidava, os caminhoneiros e motoristas em geral. E para dormi utilizava redes de hospitalidade, barraca, ou aceitava algum convite de alguém que me convidava no caminho.

Halan: Você tinha algum tipo de trabalho que te ajudava com a questão do dinheiro?

David: Sim, fazia artesanato

Halan: Quanto costumava fazer por dia com os artesanatos?

David: As vezes vendia 2 ou 3 dolares por dia, as vezes não vendia nada.

Halan: Você fez todo o percurso sozinho?

David: Sim

Halan: Qual foi a parte mais complicada de fazer?

David: No peru um trecho entre Ayacuho e Abancay. É uma estrada super secundária onde pasava um carro a cada 30 minutos. O 4º que passava me levava, mas aí já tinha passado 2 horas de espera. Mas é um ligar com uma linda paisagem e a gente era super amável. Lá não tinha asfalto.

Halan: Você disse que ficava na casa das pessoas usando redes de hospitalidade, e como fazia, já que não planejava tanto sua viagem? Como calculava as cidades e as datas?

David: Apenas escrevia, e dizia que chegaria em 3 ou 4 dias. Quando estava mais perto. E às próximas cidades, lhe escrevia dizendo que demorava mais um pouco pra chegar

Halan: Houve algum problema com as pessoas das redes de hospitalidade? Algum desencontro?

David: Não. Todo mundo muito gente fina. Exeto em La Paz, Bolívia, o cara me disse que as 11pm eu tinha que ir embora, porque tinha chegado sua namorada e não queria que eu ficasse lá.

Halan: Qual a velocidade que você viajava? Quantos km por dia?

David: A velocidade, as vezes 200km por dia, uma vez apenas 100. Uma vez viajei 800km em um dia em um super caminhão, super comodo.

Halan: Quanto tempo parava em cada cidade?

David: Dependia de como eu me sentia. As vezes ficava só uma noite se não gostava do lugar. Outras 3 ou 4 noites, o máximo que fiquei foi 9 dias.

Halan: Falando de carros... Você pegou carona com algum carro inacreditável por algum motivo... Velho demais, ou novo demais, algo incrível?

David: Sim, alguns caminhões modelo 1980 velho e lento. No Equador viajei em uma caminhoneta Hyunday Tucson super nova e comoda. No Peru em um Honda Accord. Na Colômbia em um Mazda 3, modelo 2009.

Halan: No seu país... Como é pegar carona na Colômbia?

David: Um pouco complicado, não existe essa cultura. Mas é 100% possível. O pessoa me convidava pra comer algo

Halan: Tem grupos de caroneiros organizados no seu país, como tem no Chile, Argentina e em outros paises?

David: Não, que eu saiba. Eu gostaria de encontrar amigos que gostem de viajar de carona.

Halan: E o que pensa sobre turismo?

David: Um pouco complicado responder. O que exatamente você quer saber?

Halan: Sobre o turismo... Asim, sempre pergunto sobre os que os caroneiros pensam sobre isso, se acreditam que o que fazem tem a ver com turismo, ou se é uma coisa completamente diferente. Se tem algo contra a prática turística... Quer falar sobre isso?

David: Sim. O turismo como se ver na Américda Latina se alastra como uma peste. Vão tudo junto numa mão só. Por exemplo, vão 10 uropeus pra Machu Pichu no Peru, e não conhecem nada, só se comunicam entre eles, comem em lugares super caros, não comem a verdadeira comida peruana, não falam com os peruanos, só com o guia turistico. Nos lugares turísticos tudo é caro. Eu não faço turismo, viajo com o pessoal da região, como com o a gente da região.

Halan: A polícia, ajuda ou complica?

David: Não dizem nada. No Equador, viajei em um carro da polícia. (risos). Super bem!

Halan: Houve alguma situação muito complicada em alguma parte da viagem?

David: Não, nunca, o mais complicado que teve foi saír das cidades grandes como Lima. Encontrar a saída, onde possa pedir carona.

Halan: Creio que é o suficiente. Qer falar mais alguma coisa para o blog? Ou contar uma história específica?

David: Sim, claro, e obrigado. E se puder, publica meu e-mail por favor.

Halan: Claro

David: Estava em Chiclayo, Peru, um caminhão Scania super grande me deu carona. O caminhoneiro me perguntou pra onde eu ia, e eu disse que ia para Trukillo, e que tinha quem me hospedasse em Trujillo. De Chiclayo a Trujillo tem 200km. O caminhoneiro me disse, "Se quiser te levo pra Lima, Que está a 800km". Foi super gente boa. Uu disse que iria, claro! Não ia perder essa cavalgada. mas não tinha quem me hospedasse em Lima, mas foi muito bom 800km em um único caminhão!

Halan: Tinha onde ficar em Lima?

David: Não, mas cheguei em Lima as 8 da manhã, daí tive tempo de procurar alguém que me hospedasse. Não ia perder essa oportunidade de fazer 800km em um caminhão super cômodo.

David, muito obrigado pela participação, o seu e-mail está aqui publicado como lhe prometi: santafedulcecondena@hotmail.com

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Onde estou? Natal!

Como? Uma história muito complicada!
A viagem acabou? Claro que não.
O blog acabou? Está numa das melhores fases!

...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entrevista com Griselda Prado

A entrevista dessa semana é com Griselda Prado, 23 anos, caroneira novata, participa do grupo Autostop Argentina. Vive na cidade de Córdoba, Argentina. Ainda existe muita história a se falar sobre mulheres pegando carona, mas é claro, existem mulheres que simplesmente vai e pronto. Segue a entrevista:

"Uma vez um caminhoneiro estava em Córdoba, um que conheciamos, e ele dormiu aqui em casa."
- Griselda Prado


"...creio que pegar carona não é perigoso. Pode acontecer alguma coisa ruim comigo na esquina da minha casa.
"

- Griselda Prado





"É um prazer quando alguém te dar carona e passam alguns minutos e nenhum dos dois sabe como é o outro
"

- Griselda Prado




Halan Pinheiro: Você viaja de carona a quanto tempo?

Griselda Prado: Dois anos.

Halan: Sempre na Argentina?

Griselda: Sim

Halan: A quanto tempo participa do grupo Autostop Argentina?

Griselda: dois anos

Halan: Bom, então sua primeira experiência foi já como membro do grupo, sim?

Griselda: Sim, me emolguei pra viajar porque conheci o grupo, e minhas irmãs já faziam parte.

Halan: Viajam juntas?

Griselda: Minha primeira viajem de carona foi com umas delas, mais nova que eu. Com as outras duas irmãs eu não viajo de carona, elas fazem viagens muito longas que não posso fazer.

Halan: Para onde por exemplo?

Griselda: Para Salta, Jujuy... Amanhã vão pra o Brasil. As viagens delas duram um mês ou mais.

Halan: E para que parte do Brasil estão vindo?

Griselda: Primeiro foz do iguaçu, para ver se podem viajar nos sacoleiros, depois São Paulo, Rio, Bahia...

Halan: Uau! Vão conquistar o país! Viajam como duas mulheres sozinhas?

Griselda: Sim, mas elas vão de carona só enquanto estiverem na Argentina, dentro do Brasil não vão de carona

Halan: Você tem experiência em viajar sozinha?

Griselda: Não. Não me empolgo tanto, eu gosto de viajar com outras meninas, é melhor.

Halan: E com homens?

Griselda: Nunca viajei com um homem, eu gosto mais de viajar com meninas, pois te dão carona mais rápido.

Halan: O que acha sobre segurança? Já aconteceu algum problema de segurança contigo ou conhece alguma história ruim sobre isso? Ou simplesmente nunca rola nada?

Griselda: Não viajo sozinha porque teria medo, não sei porque, talvez se alguém tenta algo estando sozinha é mais difícil se defender.
Nunca mim passou nada de ruim e creio que pegar carona não é perigoso. Pode acontecer alguma coisa ruim comigo na esquina da minha casa.

Halan: Já fez alguma viagem de muitos dias? Normalmente como faz para dormir quando anoitece na estrada?

Griselda: Minha viagem mais longa doi de 700km, não foi preciso dormir. Nunca fiz viagens de muitos dias, tenho pouca experiencia com caronas.

Halan: E o que acha da Argentina, como é pegar carona em teu país?

Griselda: Creio que é um lugar bom. Se você sabe onde se posicionar na estrada e com boas atitudes é muito fácil que te levem de carona. As pessoas que te dão carona são gente boa.

Halan: Sobre o grupo... O que fazem no grupo? O que fazem como um grupo?

Griselda: No grupo se pode participar de várias formas. Em primeiro lugar tem o site, no forúm se pode participar perguntando coisas ou opniando. Também tem as reuniões que são feitas em cada cidade. Aqui em Córdoba nos reunimos uma vez no mês. A melhor parte são os encontros, é onde se conhece todos os mochileiros, fazem intercâmbio de experiencias de viagem, também contamos piadas, cozinhamos, cantamos...

Halan: Isso uma vez por mês ou apenas nos encontros?

Griselda: Cada cidade tem seu grupo que se reune e cada grupo pode fazer pequenos encontros. Aqui em Códoba nos juntamos, fomos para as serras, eramos 8 ou 9 pessoas só pra viajar de carona e fazer uma aventura.

Halan: Uma vez um brasileiro que pegava carona aí na Argentina me falou que pegou carona em um caminhão que tinha um adesivo do grupo Autostop Argentina. Tem muitos caminhoneiros 'amigos do grupo'?

Griselda: Sim, quando nos juntamos nos encontros levamos alguns adesivos, daí quando viajamos de carona damos para as pessoas que nos levam. Muitas vezes se faz amizade com um caminhoneiro, então quando quer fazer uma viagem e ele vai na mesma estrada, ele avisa e se pode marcar de se encontrar na estrada. Uma vez um caminhoneiro estava em Córdoba, um que conheciamos, e ele dormiu aqui em casa.

Halan: Pegar carona é uma coisa um tanto marginalizada no mundo inteiro. Como é na Argentina?

Griselda: Também é. Quando você diz no seu trabalho ou na faculdade, 'Vou pra Buanos Aires', por exemplo, de carona, te olham e falam: 'De carona? porque? Não tem medo que aconteça alguma coisa com você?'. Ou muitos pensam que um mochileiro é alguém que não faz nada e que não trabalha.

Halan: Você considera viajar de carona como uma forma de turismo ou essa não é a melhor forma de categorizar isso? Tem alguma coisa pra falar sobre turismo?

Griselda: Acredito que pegar carona é uma forma alternativa de viajar. Não é só pra economizar grana. É um prazer quando alguém te dar carona e pasam alguns minutos e nenhum dos dois sabe como é o outro, até que se fale. Sobre tudo, sobre a estrada, viajar, sobre o caminhão. Viajar de carona pra mim é uma forma alternativa de conhecer outros lugares e outra gente. Eu não faço turismo, vou conhecendo tudo, sobre as pessoas, sobre o lugar, a natureza... O turismo as coisas são como o sistema quer te mostrar, é só uma forma superficial de conhecer um lugar, e ainda pagar muita grana por isso!

Halan: Gostaria de falar mais alguma coisa para o blog?

Griselda: Viajar de carona é uma viagem de ída. Digo, quando começa a fazer, não pode parar. É lindo, Sair das cidades e começar a ver a estrada, o coração bate mais forte. Sem falar nas pessoas que se conhece que de outro modo não iria conhecer. Acho que todo mundo tinha que provar isso alguma vez. Viajar abre a mente.
Isso é tudo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O depoimento perdido: como voltei ao Brasil! (parte 2)

Tinha saído na terça de meio-dia mais ou menos, de Santiago, afim de chegar ao Brasil.

Cheguei no Brasil as 12 horas na quinta-feira. Maldição! A combinação de fim de dia e fim de semana foi devastadora pra mim que estava na estrada...

Uma série de fatores combinou para piorar tudo. Os caminhões não passam pela aduana depois das 10 da noite. O meu motorista guardou o caminhão em um estacionamento no lado Argentino. Pensei: 'Me fudi!'. Mas o cara foi solidário, e me botou no mesmo taxi que levou ele pra casa dele, passei na aduana de taxi e nem se quer devolvi os documentos de migração. O gentil caminhoneiro me deixou na boca da estrada e explicou onde era o porto seco de Uruguaiana, o maior da América Latina. Me apontou um posto de gasolina (que mais parecia está fechado), e se foi (desconfio que se foi meio choroso, afinal foram dois dias de convivência intensa!).

As coisas foram muito mal desde o começo... Começando com o posto que ele me deixou. Estava fechado, e os seguranças não me deixou dormir lá:
- Uma vez uns bahianos acamparam ali e bagunçaram bastante.
Tudo bem, segui a estrada escura e deserta sem destino e de madrugada. E agora... estava eu n o Brasil, país onde se assalta com violência e não com a esperteza, fiquei com na alerta, mas segui sem medo. E até pedi carona enquanto caminhava pra os únicos 3 carros que passou, sendo o primeiro da polícia e os outros dois que iam para um motel que havia na estrada. Mas logo encontrei uma placa maravilhosa indicando posto de gasolina, e desde o primeiro posto acredito que não caminhei por mais de 1km, e lá estava meu posto/dormitório, lotado de caminhões.

Na entrada do posto, uma placa bem grande e legível, que alguém deve ter pagado uns R$ 15,00 reais pra algum pintor de placa fazer, e na placa dizia:
- Proibido pedir carona
Lindo, estou fudido! Mas pra quem já dormio na rua, no mato e em qualquer lugar, o que vinher agora é lucro... viver é um risco! Fui com a cara de pau típica dos caroneiros e perguntei ao cara com cara de vigia que estava perto da placa se eu podia acampar por lá. Ele me surpreendeu:
- Tem uma grama ótima alí em cima, inclusive tem uma torneira.
E lá fui eu, acampei tranquilamente, tão tranquilo que até dormi pelado (o calor estava de matar).

Na manha seguinte, respeitei a palca, e saí daquele posto em direção ao próximo que aparecesse, até mesmo porque, apesar de ter caminhões parados, não parecia ter tanto movimento. Pra minha sorte tinha um posto logo em seguida, um pouco mais movimentado, mas nem tanto! Gastei um pouco dos meus primeiros reais numa coxinha (comida que só tem aqui no brasil), e aqueles R$ 20,00 reais do mapa que eu vendi em Mendoza era tudo que eu tinha. O posto não estava tão bom, e na saída dele peguei um carro com um pai e uma criança que me levou uns 5km até o posto policial, onde possivelmente seria mais fácil. Um pouco tempo depois, chegou um cara com roupas limpas, e da mesma faixa etária que eu, com uma mochila nas costas... mais um caroneiro! Ia pra o mesmo lugar que eu! Mas tanto eu quanto ele sabiamos que o melhor era viajarmos separados. Conversamos o tempo inteiro e ele respeitou a minha vez (pois eu tinha chegado primeiro), e quando minha carona, um caminhão parou depois de um pouco de insistência, ele também abordou meu motorista se podia levar nós dois, mas foi negado. E assim segui até o famoso posto 'Texacão'.

No 'Texacão', pensei - Estou em casa, minha carona não tardará! - O meu amigo caroneiro tinha me alertado sobre o quão bom era esse posto. Lá, vi o primeiro gaucho com roupas típicas, e esse era um senhor, que igual estava abordando os caminhoneiros afim de viajar pra uma cidade do sul. Foi bastante difícil tanto pra mim quanto pra ele, mas ele foi embora antes que eu, em um caminhão. A minha carona foi aparecer bem depois, e não no posto, apareceu na estrada, era um funcionário público, e logo me falou a frase clássica:
- Eu não costumo dar caronas
Que nada, não me importo. As vezes isso é tão comum quanto 'isso nunca me aconteceu antes', assim vou... Fui até Rosário do Sul. A estrada estava empestada de argentinos, para cada 4 carros 3 era argentinos, e eu não estou exagerando nenhum pouco. Era sexta-feira e todos iam para a praia, ou seja - Carros extremamente lotados, e quase nada de caminhão.

Em Rosário fiquei num canto horrível que ninguém parava, definitivamente essa é uma cidade onde não tem bons postos. Decidi encarar os 2km que me faltava e por sorte passa por mim uma carroça de cavalo com um gentil velho e uma criança. Pedi pra mim levar até o posto policial e é claro que eles me levaram. Até me deu 1km de presente, pois o caminho dele era apenas 1km e o posto ficava a 2km.

O carroceiro me contou que ia pegar casca de arroz em uma fábrica, e ele fazia isso todos os dias naquele horário. Era o que ele tinha disponível pra comer. Apartir de hoje quando você for comer um arroz branquinho bem soltinho, se lembre que nem todos tem esse previlégio. E paradoxalmente as melhores vitaminas do arroz está na casca. Nem, mas me distanciei do assunto (até o Dostoiévisk faz isso as vezes).

Foi uma entrada fenomenal, quando o policial federal viu aquela cena da carroça com toda a calma do mundo chegando com um sujeito como eu - todo queimado do sol, com uma mochila gigante nas costas - ficou sem ação e parou esperando entender o que se tratava. A minha carruagem parou diante do policial, eu desci com a mochila, agradeci meu chofer e cumprimentei o policial...
- Quem não tem cão caça com gato, amigo policial.
Era um sujeito super simpático, me serviu com uma água bem gelada, e como alí mesmo tinha uma stand de informações turística, ainda ganhei um mapinha completo do estado do Rio Grande do Sul.

Esperava chegar no mesmo dia... mas essa foi a que considero a viagem mais difícil e demorada. E a sexta-feira era o último dia útil que eu tinha, se caísse o sábado e domingo eu correria o risco de não sair do lugar na estrada. Mas quais as escolhas que eu tinha? Faço das minhas as palavras de Raul Seixas:

- E esse caminho que eu mesmo escolhi, é tão fácil seguir, por não ter onde ir!

Em um outro post eu continuo...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Entrevistas

Está definido, agora aqui serão publicado entrevistas toda terça-feira! A coisa tá boa heim... vamos ver o que se há de contar aqui nesse blog. Vamos desmistificar as coisas, vamos levantar a poeira da estrada.

A estreia foi essa semana com a entrevista com o simpático holandes Kasper Souren.

O depoimento perdido: como voltei ao Brasil!

Muitos me perguntaram, o que houve... mas, acabei negligenciando o blog. Muitos também perguntaram o porque, mas eu de fato não sei. De certa forma foi um bocado cansativo os 6 dias de estrada.

Eu deveria sair na segunda de manhã, mas acabei saindo na terça. Terça depois do meio dia, pra ficar ainda pior. Decidi fazer uma viagem de altíssima velocidade, segui de ônibus que me custou 1.900 pesos, até a cidade de Los Andes, onde de certo tinha um porto seco por lá.

Chegando na cidade, procurei o tal porto, e nada achei. Até vi caminhões brasileiros passando... parei em um semáforo, mas ninguém parou pra mim. Mudei de posição, e descobri que o porto seco ficava mais a frente. Uma mulher acompanhada de dois jovens atrás, parou pra mim, e se propos me levar ao porto seco, também conhecido como porto terrestre.

No porto, fiz uma vistoria sobre se havia caminhões brasieiros do lado de fora, e tratei de consultar todos.

- Tou com a família
- Tou esperando carga...

Nenhum se dispos a ajudar um compatriota querendo voltar ao seu país. Fui para o trevo... Lugar onde até mesmo caminhoneiros, os quais vêm trazer os zeroquilometros e voltam de carona, pedem carona. Depois de muito tempo, me parou um Chileno. Atravessamos as cordilheiras ouvindo os Bee Gees em altíssimo volume. Tudo que eu tinha que fazer era curtir a paisagem. Resolvemos os papéis da fronteira (passei com comida e nem se quer tocaram na minha mochila! Há uma diferença de tratamento grande quando se passa de carro particular e quando se passa de caminhião). Dormimos em um posto de gasolina em cima das cordilheira dos andes. Ele não estava tão disposto a continuar me levando, e de madrugada seguiu viagem, me deixando acampado no posto.

Pela manhã, ainda com aquela paisagem de filme, que você se acorda com uma montanha gigante atrás, com neve no topo, fui pra a estrada. E dessa vez quem parou pra mim foi um Argentino simpático, em um carro caíndo os pedaços (os argentino já gostam dessas coisas). Dessa vez a trilha foi uma mistura de cúmbia com eletrônico. O frio da manhã estava horrível, me agasalhei bem e dormi boa parte do caminho, que se foda as cordilheiras dos andes maravilhosamente linda, meu corpo pede arrego! Esse me largou em um posto de gasolina em Mendoza, na boca da ruta 7 com a rua Rodriguez Peña, bem próximo ao porto seco de Mendoza, me deixou em um posto onde teria os tais brasileiros. E quando cheguei no posto, me surpreendi, pois todos os caminhões eram brasileiros, TODOS!

Me misturei com os caminhoneiros, foi aí que reencontrei uma antiga carona, o caminhoneiro que fez a ruta 9 de Santa Fé à província de Córdoba, e me deixou em um posto onde eu achei o Chileno mensageiro de deus (...?). Era tudo que eu queria pra me misturar de vez com a rapaziada. A cada 10 minutos eu ia conhecendo outro caminhoneiro, e todos estavam com dificuldade de conseguir carga, e nenhum ia voltar ao Brasil agora. E os que ia estava com a família, pra o meu asar (época de férias). Um deles gostou do meu mapa, e me convenceu:

- Me venda seu mapa! Aqui mesmo você encontra sua carona pra o Brasil, então não vai mais precisar dele.

Me renderam R$ 20,00. O que defini como a grana que eu iria usar no Brasil, e usei toda grana argentina que eu tinha, dentro da Argentina, sem fazer câmbio para real depois.

Algum tempo depois, chegou um caminhão vazio, que voltava ao Brasil, e eu corri pra atacar... Pensou, pensou.... e...

- Traga sua mochila pra guardar lá atrás.

E assim voltei ao Brasil! Na minha viagem recordista de rápida. Saí na terça de meio dia, dormi nas cordilheiras, viajei no dia seguinte em direção ao Brasil, dormi depois de Rio Cuarto e cheguei em Uruguaiana no começo da madrugada. Foram 2 dias e meio de viagem. Um recorde pessoal!

O problema foi chegar na capital, acabei batendo outro recorde, o de viagem mais lenta. Mas aí é outra história!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Entrevista com Kasper Souren

Iniciando uma novíssima seção do blog, onde pretendo entrevistar pessoas com 'estradas no currículum' (e pessoas normais também), como caroneiros, policiais, caminhoneiros, prostitutas, entre outras figuras do mundo inteiro.

Entrevisto agora o caroneiro Kasper Souren. Co-fundador do guia de caroneiros hitchwiki. 32 anos, programador, Mestrado em matemática, trabalha pra uma ONG chamada kunnafoni. Já viajou pelos 6 continentes do mundo de carona. Atualmente vive na Holanda, seu país de origem. A entrevista que segue se trarta da primeira parte.

"Eu não viajo de carona porque sou pobre."
- Kasper Souren





"Eu tenho pegado algumas caronas com mulheres, e isso obviamente não foi na Turquia, Siria ou Jordânia."
- Kasper Souren



"Os europeos consideram pegar carona como algo fora do comum."
- Kasper Souren



Halan Pinheiro: Porque pegar carona?

Kasper Souren: Pegar carona é uma aventura barata e social.

Halan: Você acha fácil pegar carona?

Kasper: Sim, uma vez que você sabe como sorrir, escolher os pontos certos, e quando (não) fazer sinais, é muito fácil.

Halan: Quais são os riscos?

Kasper: Você entra em um carro de alguém que não conhece. O principal risco é que esses carros são inerentemente inseguros. Eu nunca tive nenhuma experiência negativa com um motorista e acho que nunca vou ter, afinal, sou um cara de 1,93 metros de altura.

Halan: Você normalmente viaja sozinho ou acompanhado?

Kasper: Eu acho que algo como 50/50, sozinho ou com mulher. Tenho pegado carona com caras, mas a viagem fica bem mais demorada. Uma vez eu viajei com 6 pessoas, uma distância curtinha na Argentina, e fomos na intenção de pegar carona em algum caminhão gigante aberto atrás.

Halan: Normalmente você leva dinheiro suficiente ou vai trabalhando no caminho para conseguir?

Kasper: Claro. Eu não viajo de carona porque sou pobre. Rola muito de pessoas me oferecerem dinheiro - Eu geralmente não aceito. Tenho trabalho em ONGs como consultor de TI. É muito fácil conseguir trabalho nessa profissão.

Halan: Quanto você costuma gastar em dolares, em média por dia na estrada?

Kasper: Difícil falar. Mas com certeza é menos que o aluguel de um apartamento em Amsterdam.

Halan: E quantos km por dia?

Kasper: Na verdade, depende. Ontem eu peguei uma caroninha pra outra cidade aqui na Holanda, e foi só 1 hora de estrada. Em outubro eu peguei umas caronas de Amsterdam pra Jerusalem, em 12 dias. Geralmente, quando se acorda cedo na Europa Ocidental é bem comum fazer mais que 600km por dia.

Halan: O que você costuma levar na mochila?

Kasper: Meu Nokia810, um pequeno equipamento rodando GNU/Linux com GPS. Então, tenho todos os mapas que preciso. Pra as viagens mais longas eu também levo meu laptop, algumas roupas, um saco de dormri. Eu tenho viajado co uma barraca mas eu pouco uso ela, então eu tento não levar peso extra.

Halan: Quais os lugares que você prefere pedir carona?

Kasper: Posto de gasolinas lotados em auto-estrada. As pessoas fazem longas distâncias e teêm tempo de me analizar melhor.

Halan: Qual tipo de veículo normalmente te dá carona e qual o perfil dos motoristas?

Kasper: Bem, talvez eu possa dizer que principalmente são homens dirigindo sozinhos. Mas não é 'habitualmente'. Ontem eu peguei uma carona só, com uma família com crianças, isso é raro. Eu tenho pegado algumas caronas com mulheres, e isso obviamente não foi na Turquia, Siria ou Jordânia.

Halan: Como você faz para comer e dormir na estrada?

Kasper: Eu sou vegan, e para longas viagens eu normalmente compro castanhas e frutas secas. Costumo planejar minhas viagens para que eu tenha hospedeiros em grupos de troca de hospitalidade que ficam me esperando pra me receber. Nas viagens menos planejadas, quando não estou levando uma barraca eu aceito qualquer convite para a casa das pessoas. Quando não rola, eu durmo fora, ou procuro um hotel. Em países menos abastados os hoteis são bem baratos, e algumas vezes teêm um grande valor. Alí pela China você pega um quarto de um hotel com banheira e água quente, pra 2 pessoas por uns 5 euros.

Halan: Qual lugar você mais gosta de viajar de carona?

Kasper: Em termos de facilidade, Europa Ocidental. Eu falo as línguas e vou rápido. Em termos de aventura, qualquer lugar.

Halan: Como foi sua primeira vez?

Kasper: Muito mal. Eu decidi pegar carona em Paris com uns amigos, isso a mais de 10 anos atrás. De Liege (apenas uma viagem, 30 minutos) nós pegamos um trem, e tentamos em outra cidade, e finalmente pegamos o trem e seguimos o resto do caminho. Nós não sacávamos nada sobre pegar carona. Na segunda tentativa com uma namorada dessa vez, na Croácia, sem um mapa. Nós pegamos algumas caronas, mas no fim do dia nós estávamos apenas a 5km de onde começamos. Sem mapa, denovo. A viagem que me iniciou foi de Paris para Barcelona, eu fiquei mal de tanto pegar os ônibus Eurolines e decidi simplesmente pegar carona lá. E foi ótimo.

Halan: E qual foi a viagem mais difícil? por que e como foi?

Kasper: Fiquei preso em Neuquen por umas 18 horas quando finalmente resolvi pegar um ônibus pra Buenos Aires.

Halan: Como é pegar carona em seu país?

Kasper: Pegar carona na Holanda é realmente muito fácil.

Halan: Dizem que pegar carona na europa é menos marginalizado e mais fácil. Eu sei que a coisa não é bem assim. Você tem viajado em alguns continents, o que tem a dizer sobre?

Kasper: Eu viajei nos 6 continentes. Os europeos consideram pegar carona como algo fora do comum. Israel é o único lugar onde caronas (de graça) é (ainda) parte da cultura.

Halan: Você esteve em alguma situação muito complicada na estrada?

Kasper: Com certeza, algumas vezes quando viaja de carona na Europa você termina pegando uma direção errada e você tem que pegar carona voltando pra a direção certa. Isso pode ser complicado e requer umas horinhas de caminhada.

Halan: Qual foi sua jornada mais longa, e como foi?

Kasper: Define "jornada"!
A minha viagem mais longa foi de Toledo (Ohio) pra Salt Lake City, 3.000km sem parar por mais de uma hora - Mas não foi carona propriamente dito. Na Tuquia eu peguei uma carona de Istanbul para Gaziantep, quase na fronteira com a Siria, com um caminhoneiro. Nós comunicávamos com a ajuda de uma guia de conversação que eu tinha e tomei bastante chá o caminho inteiro. Ele tinha um colchonete sobrando que deu pra nós dois dormir na cabine.

... Continua...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Esse tem meu respeito!