Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Assassinado por um carro...



Morreu nesse último sábado um jovem de 19 anos. Poeta, ativista anti-carro-pró-bicicleta, morreu atropelado por um veículo em alta velocidade na BR-101 em Parnamirim quando voltava pra a sua casa em Natal de uma viagem que fez pra campina grande. Formiga (Oiran), como era conhecido, participou ativamente de movimentos de conscientização do uso da bicicleta como meio de transporte válido. Formiga, mesmo muito jovem, deixou um legado criativo em suas poesias, textos e experimentos com o teatro. Viajante, cheio de vida, sempre sorridente (como se nota no vídeo), não tinha nenhum inimigo. Voltava pra casa empolgado com as novas descobertas de mais uma viagem, e cheio de planos de sair da casa da mãe finalmente e ir morar sozinho, onde ia montar uma cooperativa com uns amigos de fabricação de coxinha com recheio de caju.

Vai-se o corpo, ficam as ideias...
Mesmo de luto, continua a luta!


Armas e Rosas
flores em vasos enfeitam as janelas
arrancadas da terra, dadas as amadas
mortas e machucadas, enfeitam o amor
a destruição faz parte até no amor
orgões genitais expostos, exalam cheiros e aromas
e ainda somos civilizados, ainda somos romanticos
temos armas e rosas

- Formiga


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Antes de tudo lembro-os
Que escrevo para os vivos
Lembro-os que leio para os vivos
Eis aqui não um cultivo à morte
Eis aqui um puro e gritante culto à vida

Lembro aos vivos
Que não precisamos chorar pelos mortos
Lembro aos vivos
Que precisamos continuar o que eles começaram
Lembro-os, que precisamos aprender com seus erros

Vai-se o corpo mas não fica a alma
Vai-se o artista mas ficam suas obras
Vai-se o ser mas fica o sentimento
Vai-se um anarquista nascem vários!

- Halan Pinheiro


Não sei o que fazer para voltar para a natureza, nem sei se é realmente o que quero ou preciso. O que sei é que tenho um desejo mais forte do que eu, talvez seja meu instinto animal. O desejo de correr pelo mundo, sorrir, sentir o vento, quente e frio do planeta, subir montanhas, e correr pelas estradas empoeiradas, fazer sexo com fêmeas de todas as etnias, de terras distantes ou vizinhas. Esse desejo me purifica, me renova. A busca pela sensação, o estímulo de todos os sentidos, e a busca pelo uso completo do corpo em toda a sua essência da natureza. Atrofiamos nosso corpo quando saímos da natureza, não sei se é possível reverter isso, mas como falei, bem fundo no cérebro, ainda resiste um inspirar e expirar animal, o raciocínio rápido de sobrevivência. Muita coisa está ali. Talvez.

- Halan Pinheiro (Onde que fica a saída?)

1 comentários:

utopic disse...

Não deu para ver o vídeo. Mas isso é a vida. Adorei os poemas, seu e dele.