Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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sábado, 11 de julho de 2009

Pensei que já tinha visto de tudo!

Oi meus queridos leitores. Espero que não tenham me abandonado depois do largo período de baixa publicação do blog devido a meu repouso temporário em Natal. Agora estou de volta nas estradas! E o blog está cada dia mais maduro. Continuo recebendo e-mails do mundo todo de vocês que me lêem e isso me serve de combustível para continuar.

Agora na minha segunda empreitada, que teve um começo inesperado mas foi interessante. Decidi partir de manhã, e viajei de noite. Viajei de ônibus! Mas não abandonei minhas origens, a viagem às pressas e de ônibus tem uma nobre justificativa... Tive que encontrar com uma amiga, que foi na frente de ônibus pra Fortaleza. De lá iríamos em linha reta até o Peru, onde ela tinha um vôo marcado pra os Estados Unidos, onde ela mora.

A viagem foi de madrugada e sem imprevistos. Cheguei no tempo certo. Nos encontramos pela manhã na rodoviária e um amigo nos deu uma carona até a estrada. A saída que fomos era pela Caucaia, perto de Fortaleza, pela BR-222.

O frio da primeira carona é sempre muito empolgante. Alguns minutos na estrada, e para nosso caminhão! Ele não ia muito longe. Mas nos deixou em um posto de gasolina mais movimentado e nos deu o seu nome e a empresa em que trabalha, pra que eu pentelhasse os colega de trabalho dele. Já nesse novo posto, ninguém quis nos levar. As histórias de sempre: 'não posso' ou 'não cabe'. Minha parceira a adorável Theresa Kim, se mantinha sempre sorridente e firme, apesar de ser praticamente sua primeira vez na estrada.

Foi na beira da estrada onde encontramos nossa saída dali. Um carro pequeno, e com apenas mais duas vagas, colocou nossas mochilas dentro do porta-malas e nos levou. Theresa não fala português, então tive que falar por mim e por ela. Mas sempre acabávamos transformando os assuntos em aulas de português. O motorista depois nos revelou que era um vereador, e até os ofereceu sua casa caso não conseguíssemos sair daquela cidade a tempo.

Almoçamos nessa cidade que não lembro o nome (eu estou sem mapa). Comida Cearense, hummm. A Theresa como sempre colocou alguns litros de pimenta na comida dela, o que acaba chamando atenção geral. A comida nos custou R$ 4,00 cada prato, e uma Cajuina nos custou R$ 2,00. Os R$ 4,00 do almoço foi pechincha pois o preço anunciado era R$ 5,00.

De volta a estrada, nos para outro carro. Nos entupimos dentro dele com nossas mochilas. A mochila da Theresa era do tamanho de uma mochila escolar (a minha continua grande). Dessa vez o assunto foi aula de inglês, o tema era:
'Como conquistar uma gringa'. Os simpáticos rapazes nos deixaram em uma cidade próxima. E deu pra entender que eles foram até aquela cidade exclusivamente pra nos ajudar, pois desviaram um pouco o caminho deles. Eu e a Theresa definitivamente formamos uma dupla muito carismática.

Atravessamos a cidade caminhando. Paramos em um posto e foi de lá que saiu mais um carro. Esse era um homem gordo dirigindo e uma senhora com uma criança atrás. Seguimos desviando os buracos e admirando a paisagem impressionante que nessa época do ano está bem verdinha. Quando descemos, eu percebi que a senhora pagou um dinheiro pra o motorista e que ele apesar de nos ter dado uma legítima carona, ele fazia lotação e cobrava por isso. Nem falou sobre dinheiro conosco, ainda bem.

Já nessa cidade a coisa fai mais difícil.(esse post tá ficando engraçado com todas essas cidades anônimas, mas isso é o resultado de viajar sem mapa) É que estávamos meio que na entrada da cidade, e não na saída. Resolvemos isso com uma boa caminhada. E já na saída nos parou um carro aberto. Jogamos nossas mochilas atrás, e a Theresa veio no meu colo. Dessa o nosso motorista era um micro-empresário, trabalhava com informática, o que ajudou bastante na nossa empatia. Ele nos levou pra a nossa cidade de dormida, essa eu lembro o nome - Sobral - terra da ilustre cantor Belchior, quem já teve vídeos e textos aqui no blog, Sobral também é a terra do Didi, o Renato Aragão.

Sobral era uma cidadezinha gostosa, grande e pequena ao mesmo tempo. Não tivemos tempo de perambular muito por ela. Só conhecemos o caminho da lan house e da padaria, onde encontramos uma sopa de R$ 1,95. Sopa é uma boa pedida pra viajantes vagabundos com poucos trocados no bolso. Decidimos comprar um pacote de leite pra ser nosso café da manhã, combinamos que seria nossa única refeição matinal de amanhã.

Dois moto-taxi nos levaram por R$ 2,00. No caminho o motoqueiro comentou comigo:
- Todo cara que vem de Natal é mala. - ele se referia à minha condição de vagabundo-andante-new-beatnick e seguido por uma linda oriental que não fala português e parecia ter uma grande afeição por mim.

Fomos deixado em um posto de gasolina horrível, cheio de prostitutas de travesti. Não era com certeza um bo lugar pra acampar. Mas fomos informados que logo a frente tinha um outro posto muito mais bem frequentado. E de fato era, muitos caminhões e um lugar razoável pra colocar minha barraquinha.

A surpresa da viagem veio no dia seguinte. Depois de muito tempo insistindo em frente ao posto sem sucesso, e de descobrir que nosso café da manhã, o leite, estava azedo (comemos biscoito), seguimos até o tal posto que antes estava cheio de putas. Agora ele era o ponto ideal pra pedir carona. A surpresa demorou mas chegou, nossa carona em um caminhão bi-trem habilimente pilotado por uma mulher! Isso mesmo! E pra completar nossa felicidade, ela ia pra Teresina, nosso próximo destino. A viagem seguiu divina com boas conversas, boas músicas e um caminho difícil por cima de uma cerra com vários trechos com deslizamento.

Em um posto que paramos pra comer alguma besteira. Me ofereceram uma tal de uma enraizada, e ainda me deram um chá poderoso que servia pra melhorar a capacidade de ereção do homem. Caramba... sem comentários! A viagem acabou bem, chegamos de noite em Teresina. Onde aproveitamos uma festinha particular de alguns amigos.

No dia seguinte, pra minha tristeza a Theresa decide me deixar. Devido a problemas nos Estados Unidos, ela foi obrigada a chegar mais cedo em casa, e tomou um ônibus pra Belém.

Agora estou novamente só, em Teresina, e me preparando pra Belém! Pesquisei sobre as formas de transporte de lá pra Manaus, e esse trecho terá que ser feito realmente por barco. Será que conseguirei caronas?

(As fotos desse trecho que fizemos de Fortaleza a Teresina estão com Theresa, vou pedir pra ela e posto em seguida.)

2 comentários:

utopic disse...

=) Uhuu!!

utopic disse...

boa sorte lá no norte. acho q vc consegue carona de barco sim!!