Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Entrevista com Kasper Souren

Iniciando uma novíssima seção do blog, onde pretendo entrevistar pessoas com 'estradas no currículum' (e pessoas normais também), como caroneiros, policiais, caminhoneiros, prostitutas, entre outras figuras do mundo inteiro.

Entrevisto agora o caroneiro Kasper Souren. Co-fundador do guia de caroneiros hitchwiki. 32 anos, programador, Mestrado em matemática, trabalha pra uma ONG chamada kunnafoni. Já viajou pelos 6 continentes do mundo de carona. Atualmente vive na Holanda, seu país de origem. A entrevista que segue se trarta da primeira parte.

"Eu não viajo de carona porque sou pobre."
- Kasper Souren





"Eu tenho pegado algumas caronas com mulheres, e isso obviamente não foi na Turquia, Siria ou Jordânia."
- Kasper Souren



"Os europeos consideram pegar carona como algo fora do comum."
- Kasper Souren



Halan Pinheiro: Porque pegar carona?

Kasper Souren: Pegar carona é uma aventura barata e social.

Halan: Você acha fácil pegar carona?

Kasper: Sim, uma vez que você sabe como sorrir, escolher os pontos certos, e quando (não) fazer sinais, é muito fácil.

Halan: Quais são os riscos?

Kasper: Você entra em um carro de alguém que não conhece. O principal risco é que esses carros são inerentemente inseguros. Eu nunca tive nenhuma experiência negativa com um motorista e acho que nunca vou ter, afinal, sou um cara de 1,93 metros de altura.

Halan: Você normalmente viaja sozinho ou acompanhado?

Kasper: Eu acho que algo como 50/50, sozinho ou com mulher. Tenho pegado carona com caras, mas a viagem fica bem mais demorada. Uma vez eu viajei com 6 pessoas, uma distância curtinha na Argentina, e fomos na intenção de pegar carona em algum caminhão gigante aberto atrás.

Halan: Normalmente você leva dinheiro suficiente ou vai trabalhando no caminho para conseguir?

Kasper: Claro. Eu não viajo de carona porque sou pobre. Rola muito de pessoas me oferecerem dinheiro - Eu geralmente não aceito. Tenho trabalho em ONGs como consultor de TI. É muito fácil conseguir trabalho nessa profissão.

Halan: Quanto você costuma gastar em dolares, em média por dia na estrada?

Kasper: Difícil falar. Mas com certeza é menos que o aluguel de um apartamento em Amsterdam.

Halan: E quantos km por dia?

Kasper: Na verdade, depende. Ontem eu peguei uma caroninha pra outra cidade aqui na Holanda, e foi só 1 hora de estrada. Em outubro eu peguei umas caronas de Amsterdam pra Jerusalem, em 12 dias. Geralmente, quando se acorda cedo na Europa Ocidental é bem comum fazer mais que 600km por dia.

Halan: O que você costuma levar na mochila?

Kasper: Meu Nokia810, um pequeno equipamento rodando GNU/Linux com GPS. Então, tenho todos os mapas que preciso. Pra as viagens mais longas eu também levo meu laptop, algumas roupas, um saco de dormri. Eu tenho viajado co uma barraca mas eu pouco uso ela, então eu tento não levar peso extra.

Halan: Quais os lugares que você prefere pedir carona?

Kasper: Posto de gasolinas lotados em auto-estrada. As pessoas fazem longas distâncias e teêm tempo de me analizar melhor.

Halan: Qual tipo de veículo normalmente te dá carona e qual o perfil dos motoristas?

Kasper: Bem, talvez eu possa dizer que principalmente são homens dirigindo sozinhos. Mas não é 'habitualmente'. Ontem eu peguei uma carona só, com uma família com crianças, isso é raro. Eu tenho pegado algumas caronas com mulheres, e isso obviamente não foi na Turquia, Siria ou Jordânia.

Halan: Como você faz para comer e dormir na estrada?

Kasper: Eu sou vegan, e para longas viagens eu normalmente compro castanhas e frutas secas. Costumo planejar minhas viagens para que eu tenha hospedeiros em grupos de troca de hospitalidade que ficam me esperando pra me receber. Nas viagens menos planejadas, quando não estou levando uma barraca eu aceito qualquer convite para a casa das pessoas. Quando não rola, eu durmo fora, ou procuro um hotel. Em países menos abastados os hoteis são bem baratos, e algumas vezes teêm um grande valor. Alí pela China você pega um quarto de um hotel com banheira e água quente, pra 2 pessoas por uns 5 euros.

Halan: Qual lugar você mais gosta de viajar de carona?

Kasper: Em termos de facilidade, Europa Ocidental. Eu falo as línguas e vou rápido. Em termos de aventura, qualquer lugar.

Halan: Como foi sua primeira vez?

Kasper: Muito mal. Eu decidi pegar carona em Paris com uns amigos, isso a mais de 10 anos atrás. De Liege (apenas uma viagem, 30 minutos) nós pegamos um trem, e tentamos em outra cidade, e finalmente pegamos o trem e seguimos o resto do caminho. Nós não sacávamos nada sobre pegar carona. Na segunda tentativa com uma namorada dessa vez, na Croácia, sem um mapa. Nós pegamos algumas caronas, mas no fim do dia nós estávamos apenas a 5km de onde começamos. Sem mapa, denovo. A viagem que me iniciou foi de Paris para Barcelona, eu fiquei mal de tanto pegar os ônibus Eurolines e decidi simplesmente pegar carona lá. E foi ótimo.

Halan: E qual foi a viagem mais difícil? por que e como foi?

Kasper: Fiquei preso em Neuquen por umas 18 horas quando finalmente resolvi pegar um ônibus pra Buenos Aires.

Halan: Como é pegar carona em seu país?

Kasper: Pegar carona na Holanda é realmente muito fácil.

Halan: Dizem que pegar carona na europa é menos marginalizado e mais fácil. Eu sei que a coisa não é bem assim. Você tem viajado em alguns continents, o que tem a dizer sobre?

Kasper: Eu viajei nos 6 continentes. Os europeos consideram pegar carona como algo fora do comum. Israel é o único lugar onde caronas (de graça) é (ainda) parte da cultura.

Halan: Você esteve em alguma situação muito complicada na estrada?

Kasper: Com certeza, algumas vezes quando viaja de carona na Europa você termina pegando uma direção errada e você tem que pegar carona voltando pra a direção certa. Isso pode ser complicado e requer umas horinhas de caminhada.

Halan: Qual foi sua jornada mais longa, e como foi?

Kasper: Define "jornada"!
A minha viagem mais longa foi de Toledo (Ohio) pra Salt Lake City, 3.000km sem parar por mais de uma hora - Mas não foi carona propriamente dito. Na Tuquia eu peguei uma carona de Istanbul para Gaziantep, quase na fronteira com a Siria, com um caminhoneiro. Nós comunicávamos com a ajuda de uma guia de conversação que eu tinha e tomei bastante chá o caminho inteiro. Ele tinha um colchonete sobrando que deu pra nós dois dormir na cabine.

... Continua...

2 comentários:

Juh disse...

TO MUITO ANCIOSA PRA VER O RESTO DESTA ENTREVISTA... POSTA LOGOOOOO


BJOS AMIGO E BOAS CARONAS

Halan Pinheiro disse...

As entrevistas serão postadas só nas terças! hehhehe