Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Entrevista com Griselda Prado

A entrevista dessa semana é com Griselda Prado, 23 anos, caroneira novata, participa do grupo Autostop Argentina. Vive na cidade de Córdoba, Argentina. Ainda existe muita história a se falar sobre mulheres pegando carona, mas é claro, existem mulheres que simplesmente vai e pronto. Segue a entrevista:

"Uma vez um caminhoneiro estava em Córdoba, um que conheciamos, e ele dormiu aqui em casa."
- Griselda Prado


"...creio que pegar carona não é perigoso. Pode acontecer alguma coisa ruim comigo na esquina da minha casa.
"

- Griselda Prado





"É um prazer quando alguém te dar carona e passam alguns minutos e nenhum dos dois sabe como é o outro
"

- Griselda Prado




Halan Pinheiro: Você viaja de carona a quanto tempo?

Griselda Prado: Dois anos.

Halan: Sempre na Argentina?

Griselda: Sim

Halan: A quanto tempo participa do grupo Autostop Argentina?

Griselda: dois anos

Halan: Bom, então sua primeira experiência foi já como membro do grupo, sim?

Griselda: Sim, me emolguei pra viajar porque conheci o grupo, e minhas irmãs já faziam parte.

Halan: Viajam juntas?

Griselda: Minha primeira viajem de carona foi com umas delas, mais nova que eu. Com as outras duas irmãs eu não viajo de carona, elas fazem viagens muito longas que não posso fazer.

Halan: Para onde por exemplo?

Griselda: Para Salta, Jujuy... Amanhã vão pra o Brasil. As viagens delas duram um mês ou mais.

Halan: E para que parte do Brasil estão vindo?

Griselda: Primeiro foz do iguaçu, para ver se podem viajar nos sacoleiros, depois São Paulo, Rio, Bahia...

Halan: Uau! Vão conquistar o país! Viajam como duas mulheres sozinhas?

Griselda: Sim, mas elas vão de carona só enquanto estiverem na Argentina, dentro do Brasil não vão de carona

Halan: Você tem experiência em viajar sozinha?

Griselda: Não. Não me empolgo tanto, eu gosto de viajar com outras meninas, é melhor.

Halan: E com homens?

Griselda: Nunca viajei com um homem, eu gosto mais de viajar com meninas, pois te dão carona mais rápido.

Halan: O que acha sobre segurança? Já aconteceu algum problema de segurança contigo ou conhece alguma história ruim sobre isso? Ou simplesmente nunca rola nada?

Griselda: Não viajo sozinha porque teria medo, não sei porque, talvez se alguém tenta algo estando sozinha é mais difícil se defender.
Nunca mim passou nada de ruim e creio que pegar carona não é perigoso. Pode acontecer alguma coisa ruim comigo na esquina da minha casa.

Halan: Já fez alguma viagem de muitos dias? Normalmente como faz para dormir quando anoitece na estrada?

Griselda: Minha viagem mais longa doi de 700km, não foi preciso dormir. Nunca fiz viagens de muitos dias, tenho pouca experiencia com caronas.

Halan: E o que acha da Argentina, como é pegar carona em teu país?

Griselda: Creio que é um lugar bom. Se você sabe onde se posicionar na estrada e com boas atitudes é muito fácil que te levem de carona. As pessoas que te dão carona são gente boa.

Halan: Sobre o grupo... O que fazem no grupo? O que fazem como um grupo?

Griselda: No grupo se pode participar de várias formas. Em primeiro lugar tem o site, no forúm se pode participar perguntando coisas ou opniando. Também tem as reuniões que são feitas em cada cidade. Aqui em Córdoba nos reunimos uma vez no mês. A melhor parte são os encontros, é onde se conhece todos os mochileiros, fazem intercâmbio de experiencias de viagem, também contamos piadas, cozinhamos, cantamos...

Halan: Isso uma vez por mês ou apenas nos encontros?

Griselda: Cada cidade tem seu grupo que se reune e cada grupo pode fazer pequenos encontros. Aqui em Códoba nos juntamos, fomos para as serras, eramos 8 ou 9 pessoas só pra viajar de carona e fazer uma aventura.

Halan: Uma vez um brasileiro que pegava carona aí na Argentina me falou que pegou carona em um caminhão que tinha um adesivo do grupo Autostop Argentina. Tem muitos caminhoneiros 'amigos do grupo'?

Griselda: Sim, quando nos juntamos nos encontros levamos alguns adesivos, daí quando viajamos de carona damos para as pessoas que nos levam. Muitas vezes se faz amizade com um caminhoneiro, então quando quer fazer uma viagem e ele vai na mesma estrada, ele avisa e se pode marcar de se encontrar na estrada. Uma vez um caminhoneiro estava em Córdoba, um que conheciamos, e ele dormiu aqui em casa.

Halan: Pegar carona é uma coisa um tanto marginalizada no mundo inteiro. Como é na Argentina?

Griselda: Também é. Quando você diz no seu trabalho ou na faculdade, 'Vou pra Buanos Aires', por exemplo, de carona, te olham e falam: 'De carona? porque? Não tem medo que aconteça alguma coisa com você?'. Ou muitos pensam que um mochileiro é alguém que não faz nada e que não trabalha.

Halan: Você considera viajar de carona como uma forma de turismo ou essa não é a melhor forma de categorizar isso? Tem alguma coisa pra falar sobre turismo?

Griselda: Acredito que pegar carona é uma forma alternativa de viajar. Não é só pra economizar grana. É um prazer quando alguém te dar carona e pasam alguns minutos e nenhum dos dois sabe como é o outro, até que se fale. Sobre tudo, sobre a estrada, viajar, sobre o caminhão. Viajar de carona pra mim é uma forma alternativa de conhecer outros lugares e outra gente. Eu não faço turismo, vou conhecendo tudo, sobre as pessoas, sobre o lugar, a natureza... O turismo as coisas são como o sistema quer te mostrar, é só uma forma superficial de conhecer um lugar, e ainda pagar muita grana por isso!

Halan: Gostaria de falar mais alguma coisa para o blog?

Griselda: Viajar de carona é uma viagem de ída. Digo, quando começa a fazer, não pode parar. É lindo, Sair das cidades e começar a ver a estrada, o coração bate mais forte. Sem falar nas pessoas que se conhece que de outro modo não iria conhecer. Acho que todo mundo tinha que provar isso alguma vez. Viajar abre a mente.
Isso é tudo.

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