Halan Pinheiro

Minha foto
Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 23 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
Visualizar meu perfil completo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rádio Underground Lágrima Psicodélica

Como podem notar, o blog agora está mais barulhento, na nossa barra lateral coloquei o player da rádio Lágrima Psicodélica, acabo de fazer parceria com o blog da rádio, que a um tempo venho ouvindo e gostando muito.

Ando reformulando o que fazer com esse blog, e a respeito de um novo conteúdo, em breve algumas novidades.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Assassinado por um carro...



Morreu nesse último sábado um jovem de 19 anos. Poeta, ativista anti-carro-pró-bicicleta, morreu atropelado por um veículo em alta velocidade na BR-101 em Parnamirim quando voltava pra a sua casa em Natal de uma viagem que fez pra campina grande. Formiga (Oiran), como era conhecido, participou ativamente de movimentos de conscientização do uso da bicicleta como meio de transporte válido. Formiga, mesmo muito jovem, deixou um legado criativo em suas poesias, textos e experimentos com o teatro. Viajante, cheio de vida, sempre sorridente (como se nota no vídeo), não tinha nenhum inimigo. Voltava pra casa empolgado com as novas descobertas de mais uma viagem, e cheio de planos de sair da casa da mãe finalmente e ir morar sozinho, onde ia montar uma cooperativa com uns amigos de fabricação de coxinha com recheio de caju.

Vai-se o corpo, ficam as ideias...
Mesmo de luto, continua a luta!


Armas e Rosas
flores em vasos enfeitam as janelas
arrancadas da terra, dadas as amadas
mortas e machucadas, enfeitam o amor
a destruição faz parte até no amor
orgões genitais expostos, exalam cheiros e aromas
e ainda somos civilizados, ainda somos romanticos
temos armas e rosas

- Formiga


----------------


Antes de tudo lembro-os
Que escrevo para os vivos
Lembro-os que leio para os vivos
Eis aqui não um cultivo à morte
Eis aqui um puro e gritante culto à vida

Lembro aos vivos
Que não precisamos chorar pelos mortos
Lembro aos vivos
Que precisamos continuar o que eles começaram
Lembro-os, que precisamos aprender com seus erros

Vai-se o corpo mas não fica a alma
Vai-se o artista mas ficam suas obras
Vai-se o ser mas fica o sentimento
Vai-se um anarquista nascem vários!

- Halan Pinheiro


Não sei o que fazer para voltar para a natureza, nem sei se é realmente o que quero ou preciso. O que sei é que tenho um desejo mais forte do que eu, talvez seja meu instinto animal. O desejo de correr pelo mundo, sorrir, sentir o vento, quente e frio do planeta, subir montanhas, e correr pelas estradas empoeiradas, fazer sexo com fêmeas de todas as etnias, de terras distantes ou vizinhas. Esse desejo me purifica, me renova. A busca pela sensação, o estímulo de todos os sentidos, e a busca pelo uso completo do corpo em toda a sua essência da natureza. Atrofiamos nosso corpo quando saímos da natureza, não sei se é possível reverter isso, mas como falei, bem fundo no cérebro, ainda resiste um inspirar e expirar animal, o raciocínio rápido de sobrevivência. Muita coisa está ali. Talvez.

- Halan Pinheiro (Onde que fica a saída?)

domingo, 27 de setembro de 2009

O mágico

Assim fui apelidado recentemente pelos caminhoneiros na rota Belém-Manaus. Foi um sucesso, recebo o apelido como uma medalha.

Esse blog a tempos não respita mais tão entusiasmado como aquele jovem moço cheio de histórias. As histórias ainda continuam se multiplicando, mas o irmão queridinho desse blog, o meu livro que está em fase final, está tomando muita a minha atenção, e me preocupo muito em escrever o blog em outro estilo que o do livro. Em sinccriado eridade, não ando muito animado com o blog. Mas segue a estrada...

Saí de Belém bem cedo. Peguei um ônibus de R$ 3,00 que paguei R$ 3,50 (por que embarquei na rodoviária e não no meio da rua), até Santa Isabbel. De lá segui estrada. Na saída da cidade ainda no meio, peguei meu primeiro carro. Uma boa carona que me levou até Castanhal. O motorista era um evangélico que quase me pegou na pegadinha:

- Você é católico?
- ..., Fui criado dentro da doutrina católica, minha família é católica.
- Eu sou evangélico - ele disse. Eu pensei: 'puta merda, vacilei'
- Mas meu pai é evangélico... inclusive o Martinho Lutero... - Daí me safei! uffa.

O carro tinha um probleminha no medidor de velocidade, estávamos a 100km/h e o marcador registrava 160km/h! Ele me deixou no posto Pombal II em Castanhal, lá peguei um carro bem confortável com o cara que almoçou comigo, a merda é que ele me levou num canto que a comida era caríssima, R$ 25,00 reais o quilo, paguei R$ 12,00 pelo meu rango. Esse cara me deixou em um trevo, andamos um bocado juntos.

No trevo peguei um carro do tipo lotação daqueles que se pagam, mas não paguei, claro expliquei que queria uma carona! O cara foi muito gentil, e ainda me deu o contato dele. Esse me deixou em capanema, e tudo isso ainda estava de manhã! Viajei tão rápido! Mal parava pra botar o dedo na estrada. Em capanema demorei um pouco mais, mas acho que não mais que quarenta minutos. Até um carro zero no estilo caminhoneta parar pra mim, então foi só seguir no arcondicionado. O motorista se chama Brasil (hehehe), e espero que ele esteja lendo o nome dele agora no blog. Assim que o Brasil me deixou depois de alguns kms viajando juntos, o primeiro carro que passou, isso mesmo, o primeiro carro que passou parou. Isso é inédito pra mim, nunca, mas nunca o primeiro carro para, meu record anterior era o terceiro carro parar, mas o primeiro nunca! É o record máximo, inclusive porque antes da carona desaparecer chegou esse carro (uma outra vez eu desci de um carro e já havia um carro parado, que no começo me negou a carona, mas depois me chamou e me levou, mas esse não conto como record). Essa carona instantânea foi com um senhor escroto que carregava limões galego em uma caminhonete:

- Eu lhe ajudo você me ajuda.
- Carona pra qualquer lugar

Foi esse nosso diálogo, mal pude entender o que isso ia significa depois... tive que raspar as moedas do meu bolso e dar pra esse velho que justificou: 'agora você vai me ajudar, lembra que você disse carona pra qualquer lugar? então eu digo, qualquer trocado serve', dei R$ 1 real pra ele.

Depois disso me despedi do açai com uma tigela de 1 litro que tomei na beira da estrada com bastante farinha, me custou R$ 3,00. Tomando açai, tive contato com um caminhoneiro o qual tinha passado por mim mais de três vezes segundo ele. Daí o apelido de mágico! Depois de me negar carona umas três vezes quando cruzou meu caminho, dessa vez, olho no olho, eu nem pedi carona com a minha boca, ele ofereceu, ele e o parceiro dele. Essa foi a carona de ouro, aquelas caronas que te adiantam muiiitos km. No posto fiscal encontrei outros caminhoneiros, que também se admiraram com minha presença e perguntou se sou um mágico. A carona de ouro me deixou em Santa Inês, num posto fiscal com um posto na frente, lá foi minha casa naquela noite, minha barraca tava tão confortável (que quando acordei já estava o dia claro)!!! Esperei um pouco mais de meia hora e um loucão parou pra mim. Esse carregava sofás. Era bem louco o cara, o ajudei a fazer algumas entregas. A primeira deu errado, a segunda descarregamos 50 sofás na cabeça, desses 50 15 ainda botamos de volta no caminhão. Era muito engraçado as porrada que a gente dava nos sofás, nas quinas, dando queda, e o dono da loja quase chorando. O caminhoneiro era loucão, mais que eu, e botava pra torar derrubando os sofás, éramos dois barbeiros. Mas mesmo assim fizemos a descarga em uma hora e meia. Ele me pagou o almoço e me deu R$ 10,00. De lá peguei um carro do tipo lotação (carona), que me deixou em Caxias. Em Caxias esperei em um ponto ruim inutilmente, então mudei de lugar, e em meia hora me veio um carro, que me trouxe até Teresina! Quase não caminhei nessa viagem, e viagei numa velocidade respeitável!

domingo, 6 de setembro de 2009

Pós-sonho

Estou fazendo alguns textos pós-sonho algum tempo. Segue o texto que produzi hoje:

-------------------

Tive um sonho louco....

Eu estava nos Estados Unidos viajando em algum lugar. E um caminhoneiro que me levava me deu seu caminhão. Eu como não sabia dirigir resolvi soltar o caminhão na ladeira e fui na caçamba do caminhão enquanto ele descia ladeira a baixo. Soltei o caminhão de lado quase de ré, era a única forma dele não descer muito rápido e perder o controle (ninguém ficou na cabine).

O caminhão seguiu livre como uma folha na água, e entrou em uma encruzilhada que nos levou até um túnel onde não podia mais passar. No caminhão estava eu e meu amigo Bio. Saímos do caminhão, armamos uma rede dentro do túnel e fomos dormir. Daí vem dois caras do outro lado do túnel e encurrala um outro, e atiram no encurralado e o matam.

Eu e Bio reagimos naturalmente, mas Bio tinha conversado alguma coisa com o moribundo antes de o encontrarem e dele ter levado o tiro. Mas eu tinha conquistado a simpatia de um dos assassinos. Resolvi sair da rede e sair do túnel, pois ouvia a sirene da polícia e imaginava ela chegando. Um dos assassinos veio comigo e pretendia me seguir, ele gostava de minha companhia, queria me proteger, estava armado. Enquanto Bio ficou pra trás pra enterrar o morto. Voltei pra convencer Bio de sair daquele lugar, e ele veio comigo. Depois convenci o assassino a ir embora, e ele foi.

Seguindo em frente, encontramos um barco supostamente abandonado. Entramos e nos deitamos nele. Algumas de nossas coisas tinha caído na água, mas recuperamos tudo. No barco ajeitamos as coisas, separamos as roupas sujas das limpas, contamos o dinheiro, e decidimos ir comprar algo pra comer. Ou melhor, Bio decidiu. Ele queria ir comer. Mas antes de se levantar, o barco saiu.

Do outro lado do barco haviam duas europeias que pareciam vagabundas como nós. Elas se preocuparam quando o barco saiu, parecia ter buscado abrigo lá também como nós. Então eu saí do barco e fui pendurado até a cabine, onde um homem grande e loiro com cara de gringo pilotava.
- Quanto custa? - perguntei com o inglês mais horrível de todos
- ... - A resposta dele era impossível para mim entender, era falante de um inglês que eu nem de longe decifrava.
Mas depois de muito tentar, entendi que custava quinze ou vinte.
- Pra onde vai?
- Europa! - ele disse.
- Europa Itália, Alemanha, Portugal?
- Não, logo ali, Europa é uma cidade.
- Muito longe?
- Depois da ponte
Qualquer coisa que é depois da ponte (que eu posso ver) não é longe o suficiente pra que eu pague vinte (seja reais, dolares ou o que for). Descemos saltando da embarcação e alegamos que não íamos. Como nós eramos os únicos passageiros (nós quatro), ele encostou a embarcação e cancelou a viagem. Bio foi comer, e uma das europeias foi com ele, enquanto a outra ficou perto de mim. No lugar que descemos tinha uma pequena praça coberta. Lá encontrei o piloto do barco, que foi muito simpático comigo, e ficou muito animado com minhas histórias quando eu disse que estava viajando de carona por aí. Encontrei um conhecido meu do Alasca e um homem muito bonito que também era americano (talvez um ator de holywood), ele tinha um pouco de jeitão de vagabundo. Lá conversamos a toa, mas eu procurei arrancar informações sobre as estradas que haviam ali perto. Basicamente haviam duas, e decidi apostar em uma. Alguns mendigos chegaram no lugar, e eles eram bêbados bem acanalhados, cuspiam saliva enquanto falavam, e falavam português no que tentava entender o idioma local (inglês). Nessas alturas eu já tinha recuperado meu inglês e já falava e entendia todos. Os mendigos eram brasileiros.
Com a informação de que tinha uma estrada próximo, me levantei e com um beijo no pescoço da europeia eu fiz ela me seguir...

06 de setembro de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Salmo Mágico


Porque o mundo está à beira do abismo e ninguém sabe o
que virá depois
Ó fantasma que minha mente persegue de ano para ano
desce do céu para esta carne trêmula
colhe meu olho fugitivo no vasto Raio que não conhece
limites – Inseparável – Mestre
Gigante fora do tempo com todas as suas folhas caindo -
Gênio do Universo – Mágico do Nada onde nuvens
vermelhas aparecem -
Indizível rei das rodovias que se foram – Ininteligível
Cavalo saltando fora do sepulcro – Poente sobre a
grande Cordilheira e inseto – Cupim -
Lamentoso – Riso sem boca, Coração que nunca teve
carne para morrer – Promessa que não foi feita -
Consolador, cujo sangue arde em um milhão de ani-
mais feridos -
Ó Misericórdia, Destruidor do Mundo, Ó Misericórdia,
Criador das Ilusões Acalentadas, Ó Misericórdia,
arrulho cacofônico da boca quente, Vem,
invade meu corpo com o sexo de Deus, sufoca minhas
narinas com a infinita carícia da corrupção,
transfigura-me em vermes viscosos de pura transcedên-
cia sensorial, ainda estou vivo,
grasna minha voz com o mais feio que a realidade,
um tomate psíquico falando-Te por milhões de
bocas,
Alma minha com miríades de línguas, Monstro ou Anjo,
Amante que vem me foder para sempre – véu banco
do Polvo sem Olhos -
Cu do Universo qual deaparaço – Mão Elástica que fa-
lou com Crane – Música que toca na vitrola dos anos
vinda de outro Milênio – Ouvindo dos edifícios de NY
Aquilo em que acredito – que vi – procurei incessante-
mente na folha do cachorro olho – sempre culpa, falta,
- o que me faz pensar -
Desejo que me criou, Desejo que escondo do meu corpo,
Desejo que todo Homem conhece Morte, Desejo ul-
trapassando o mundo Babilônico possível
que faz minha carne sacudir-se em orgasmos do Teu Nome
que não conheço nunca conseguirei nunca dizer -
Dizer à Humanidade para dizer que o grande sino toca
um tom dourado nos balcões de ferri em cada mi-
lhão de universos,
eu sou Teu profeta volta paa casa paa este mundo para
gritar um insuportável Nome pelo odioso sexto dos
meus 5 sentidos
que conhece Tua mão em seu falo invisível, coberta pe-
los bulbos elétricos da morte -
Paz, Solucionador onde embaralho ilusões, vagina de
Boca Mole que entra no meu cérebro por cima, Pom-
ba da Arca com um ramo de Morte

Enlouquece-me, Deus estou pronto para a desintegração
da minha mente, desgraça-me no olho da terra,
ataca meu coração cabeludo come meu caalho Invisível
coaxar do sapo da morte salta em mim matilha de
pesados cães salivando luz ,
devora meu cérebro fluxo Uno de interminável cons-
ciência, tenho medo da tua promessa devo fazer que
minha oração grite no medo -
Desce Ó Luz Criador & Devorador da Humanidade, arre-
benta o mundo em sua loucura de bombas e morticínio,
Vulcões de carne sobre Londres, em Paris uma chuva de
olhos – caminhões carregados de corações de anjos
para lambuzar as paredes do Kremlin – a caveira de
luz para Nova York -
miríade de pés recobertos de jóias nos terraçoes de Pe
quim – véus de gás elétrico baixando sobre a Índia -
cidades de Bactéria invadindo o cérebro – a Alma
escapando para as ondulantes bocas de borracha do
Paraíso -
Este é o Grande Chamado, esta é a Toxina da Guerra
Eterna, este éo grito da Mente assassinada na Nebu-
losa,
este é o Sino Dourado da igreja que nunca existiu, este é
o Bum no coração do raio do sol, esta é a trombeta
do Verme na Morte,
Apelo do arcanjo castrado sem maos Doaçao da semen-
te dourada do futuro pelo terremoto & vulcão do
mundo -
Sepulta meus pés sob os Andes, esparrama meus miolos
sobre a Esfinge, hasteia minha barba e cabelo no
Empire State Building,
cobre minha barriga com mãos de musgo enche meus
ouvidos com teu clarão, cega-me com arco-íris pro-
féticos
Que eu prove finalmente a merda de Ser, que eu toque
Teus genitais na palmeira,
que o vasto Raio do Futuro entre pela minha boca para
fazer soar Tua Criação Eternamente Nao-nascida, Ó
beleza invisível para meu Século!
Que minha oraçao ultrapasse minha compreensão, que
eu deposite minha vaidade a Teus pés, que eu não
mais tema o Julgamento de Allen neste mundo
nascido em Newark chegado para a Eternidade em Nova
York chorando novamente no Peru pela definitiva
Língua para salmodiar o Indizível,
que eu ultrapasse o desejo de transcendência e entre nas
calmas águas do universo
que eu cavalgue esta onda, não mais eternamente afoga-
do na torrente da minha imaginação
que eu não seja assassinado pela minha própria doida
magia, crime este a ser punido nos piedosos cárceres
da Morte,
homens entendei minha fala fora de seus próprios cora-
ções turcos, ajudem-me os profetas com a Procla-
mação,
que os Serafins aclamem Teu Nome, Tu subitamente em
uma imensa Boca de Universo fazendo a carne res-
ponder.

1960

Allen Ginsberg

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Processo criativo...

Oi, para quem acompanha esse blog. Atualmente me encontro em Manaus, e pretendo ficar por aqui como que por um mês. Sair daqui, só de navio ou avião. Claro que avião não me seduz, então será mesmo por rio, mas para onde ainda não sei.
Agora pretendo passar alguns dias, não muitos sem escrever aqui, pois estou em uma fase de processo criativo, e tou reunindo todas as inspirações possíveis no material que escrevo em paralelo a esse blog o qual intitulei 'Onde que fica a saida?' e pretendo publicar em breve no formato de livro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Navegar é preciso

Tempos corridos... A Theresa acabou desertando por ter lá seus motivos pessoais e uma certa pressa incomum de chegar. De repente me vi sozinho em Teresina e na eminência de mais uma depressão de viagem, algo semelhante ao que passei algumas vezes da outra vez que saí por aí.

Diante dessa questão, resolvi fazer bem ao meu estilo. Descobri que o próximo barco que sairia para Manaus só iria sair na terça. E não contei duas vezes, peguei o ônibus no Domingo, ainda na espectativa de achar a Theresa em Belém.

Fiz uma curiosa manobra que me rendeu uns R$ 14,00 da passagem que iria ser R$ 100,00. Primeiro, resolvi ir pra a rodoviária de Timom-MA ao invés de ir na de Teresina-PI, o preço não mudou. Também não achei os tais ônibus clandestinos. mas a economia veio quando entendi que eu podia pegar um ônibus pra Santa Inês, de lá ainda embarcar no mesmo ônibus que me cobrava R$ 100,00 a partir de Timom. Assim fiz e cheguei de madrugada nessa cidade. Ainda testemunhei um covarde roubo: um maluco que arrancou R$ 20,00 das mãos de uma moça que pagava a passagem. Já embarcado no outro ônibus, tudo o que eu tinha que fazer era dormir e imaginar o que fazer ao chegar em Belém.

Belém parecia uma cidade fantástica, cheia de sabores, figuras e formas, mas eu não queria experimentar isso em uma noite perdido na rua sem ter um teto pra dormir, daí não contei conversa, fui logo atrás do tal barco, que seria o primeiro e único, por isso provavalmente Theresa estaria nele. Lá estava eu em mais uma corrida bizarra de viagem.

A notícia de que eu poderia dormir no barco, mesmo antes dele sair me alegrou, pois iria economizar com o albergue. Paguei exatos R$ 180,00 pela passagem Belém-Manaus, a mesma não me dava direito a nada a mais. Me falaram que eram 4 dias de viagem. Mas depois me falaram que eram 5. De qualquer forma, eu sabia que teria que comer durante 4 ou 5 dias as minhas custas e na base do monopólio.

Me alertaram que o bairro do porto que eu iria embarcar era o pior que existia, eu não deveria nem olhar pra os lados antes de entrar no porto. Depois que entrei no porto, tentei sair pra usar internet ou comer algo, e me deixaram entender que isso era praticamente suicídio. Encarei tal suicídio e saí (como se fosse o primeiro que encaro), o barro realmente tinha um aspecto único. Conheço favelas de muitas cidades, mas essa tinha um tom especial. Com muitíssimo lixo misturado com água, um esgoto a céu aberto que talvez fosse parte de um rio, passava por debaixo das casas que eram construídas de madeira sobre essa vala. Não era fácil entender onde começava uma construção e terminava outra ou até mesmo onde era a porta de entrada de cada casa. Ainda bem que ninguém mecheu comigo. E nessas alturas eu já tinha começado minha embreaguez alcoolica.

A primeira noite no barco, ainda atracado, foi brindada com muita fartura entre cerveja e vinho e uma perturbada noite embreagada junto com meus novos amigos que embarcara junto comigo. No dia seguinte, esperávamos a grande partida, um dia movimentado onde chegaria gente de todo canto e iriam lotar aquele barco ao máximo. Eu mal podia esperar. Tudo aquilo me encantou bastante.

No dia seguinte a ressaca não veio, ao invez dela, uma parcela da embreagez ainda me agitava. E a bebedeira começou logo cedo. Enquanto olhávamos os novos passageiros e nossos companheiros nos próximos 5 dias. Enquanto subia gente toda hora e paravam taxis entregando mais passageiros, vários homens suados trabalhavam sem parar carregando o barco desde o porão até uma parte do primeiro andar. Todo mundo corria de um lado para o outro.

Haviam dois grandes dormitórios, no primeiro andar e no segundo, que eram salões onde es expremiam umas 150 redes em cada um, era lá onde eu iria. É claro que tinhamos nossas divisões de classes, e isso se fazia atravez dos camaoretes que sabe-se lá quanto custou, onde a maioria dos ocupantes eram gringos no centido mais perfeito da palavra. A noite da partida foi de pura embriaguez também. E tive a brilhante idéia de traficar vinho, e fiz da forma mais anarquista possível. Pedi dinheiro a todo mundo, comprei um monte de garrafa de vinho, escondi na minha mochila e saí discretamente distribuindo pra todo mundo no barco (teve até quem pensasse que eu era tripulante). Algumas garrafas foram parar na gerência, mas nada que atrapalhasse a festa. A noite o bar do navio quebrou a monofonia do calipso/melodi/tecnobrega e resolveu tocar Michael Jackson, foi uma louca embreaguez em meio aos balanços do rio.

Os dias que se seguiram, só água e floresta. As pessoas do barco se aproximavam cada vez mais umas das outras e se envolviam. Cada um com sua própria história de vida. Muitos levavam tudo que tinha em busca de uma nova vida. Outras iriam apenas tentar vender algumas coisas pra voltar com dinheiro. Uma coroa iria encontrar um namorado que conheceu no orkut. Uma ex-casada estava trazendo seu filho de volta. Um ex-presidiário buscava vida nova. Um assassino fugia da culpa de um assassinato depois de uma briga no Maranhão. Assim seguiu nosso barco.

De Belém a Santarém muitas canoas nos seguiam jogavam ganchos para se parelhar a nós, daí entravam no barco e vendiam açaí e camarão, recéns tirados da floresta. Foi reslmente uma experiência única pra eu que tudo que conheço são essas estradas e asfaltos flamejantes do sul do nosso continente. Além dessas, algumas canoas também se aproximávam, e crianças e mulheres com caras tristes pareciam acenar dando chau, mas me explicaram que aquilo era o sinal de 'esmola'. E do barco muita gente jogava coisas, pacotes com roupas, balas e etc... Um argentino malabarista me falou uma coisa que chamou a atenção:

- Eles não são pobres, nem necessitados, eles tem a floresta e ela é muito rica, eles tem tudo, comem bem. Eles apenas não tem nossos venenos, celulares, computadores. Mas veja, até canoas eles tem!

E isso é uma verdade. Com certeza não é o mesmo caso que eu vi no Nordeste.
No total foram 6 dias rio a dentro, e não 5 como previsto. Fiz muitas amizades, mas nem sinal de Theresa.