Halan Pinheiro

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Halan Pinheiro
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil
Programador, artista plástico, e aluno de artes marciais, aos 22 anos. Anarquista, realiza experimentos de desobediência civil e formas de organizações alternativas. Defensor do Software livre, esperanto e internacionalismo. E entusiasta sobre carona e nomadismo.
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Domingo, 12 de Julho de 2009

Merdas acontecem...


Nunca andei de barco, muito menos na floresta amazônica. Sei que a possibilidade de merda é pequena (ou não), mas não tou tenso, só curioso. Encontrei esse vídeo bem ao estilo humor negro, só pra descontrari... segue...

Voando na pipa

Ano passado ao descrever alguns de meus sonhos na estrada ou nas vésperas das estradas, meus leitores sugeriram algumas possíveis interpretações para meus sonhos.

Eu não acredito em sonhos que fazem previsões, mas acredito que são ecos de nossos pensamentos. Aí vai mais um sonho que tive, quem sabe vocês entendam melhor do que eu o que se passa nesse meu quengo.

Nas vésperas de minha viagem pra Fortaleza, eu sonhei que voava preso em uma pipa. Isso me causava espanto e alegria, mas eu mantinha um medo de não ter o controle a pipa, e por isso tinha medo de voar muito alto pois temia não saber pousar e se acabar no chão. A pipa voava rápido e sempre em linha reta, e eu olhava pra os outros que ficavam pra trás sorrindo e com satisfação, enquanto os outros admiravam meu feito. O sonho não teve fim, nem voltei a tocar o chão, pois acordei prematuramente e isso é tudo o que me lembro.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Pensei que já tinha visto de tudo!

Oi meus queridos leitores. Espero que não tenham me abandonado depois do largo período de baixa publicação do blog devido a meu repouso temporário em Natal. Agora estou de volta nas estradas! E o blog está cada dia mais maduro. Continuo recebendo e-mails do mundo todo de vocês que me lêem e isso me serve de combustível para continuar.

Agora na minha segunda empreitada, que teve um começo inesperado mas foi interessante. Decidi partir de manhã, e viajei de noite. Viajei de ônibus! Mas não abandonei minhas origens, a viagem às pressas e de ônibus tem uma nobre justificativa... Tive que encontrar com uma amiga, que foi na frente de ônibus pra Fortaleza. De lá iríamos em linha reta até o Peru, onde ela tinha um vôo marcado pra os Estados Unidos, onde ela mora.

A viagem foi de madrugada e sem imprevistos. Cheguei no tempo certo. Nos encontramos pela manhã na rodoviária e um amigo nos deu uma carona até a estrada. A saída que fomos era pela Caucaia, perto de Fortaleza, pela BR-222.

O frio da primeira carona é sempre muito empolgante. Alguns minutos na estrada, e para nosso caminhão! Ele não ia muito longe. Mas nos deixou em um posto de gasolina mais movimentado e nos deu o seu nome e a empresa em que trabalha, pra que eu pentelhasse os colega de trabalho dele. Já nesse novo posto, ninguém quis nos levar. As histórias de sempre: 'não posso' ou 'não cabe'. Minha parceira a adorável Theresa Kim, se mantinha sempre sorridente e firme, apesar de ser praticamente sua primeira vez na estrada.

Foi na beira da estrada onde encontramos nossa saída dali. Um carro pequeno, e com apenas mais duas vagas, colocou nossas mochilas dentro do porta-malas e nos levou. Theresa não fala português, então tive que falar por mim e por ela. Mas sempre acabávamos transformando os assuntos em aulas de português. O motorista depois nos revelou que era um vereador, e até os ofereceu sua casa caso não conseguíssemos sair daquela cidade a tempo.

Almoçamos nessa cidade que não lembro o nome (eu estou sem mapa). Comida Cearense, hummm. A Theresa como sempre colocou alguns litros de pimenta na comida dela, o que acaba chamando atenção geral. A comida nos custou R$ 4,00 cada prato, e uma Cajuina nos custou R$ 2,00. Os R$ 4,00 do almoço foi pechincha pois o preço anunciado era R$ 5,00.

De volta a estrada, nos para outro carro. Nos entupimos dentro dele com nossas mochilas. A mochila da Theresa era do tamanho de uma mochila escolar (a minha continua grande). Dessa vez o assunto foi aula de inglês, o tema era:
'Como conquistar uma gringa'. Os simpáticos rapazes nos deixaram em uma cidade próxima. E deu pra entender que eles foram até aquela cidade exclusivamente pra nos ajudar, pois desviaram um pouco o caminho deles. Eu e a Theresa definitivamente formamos uma dupla muito carismática.

Atravessamos a cidade caminhando. Paramos em um posto e foi de lá que saiu mais um carro. Esse era um homem gordo dirigindo e uma senhora com uma criança atrás. Seguimos desviando os buracos e admirando a paisagem impressionante que nessa época do ano está bem verdinha. Quando descemos, eu percebi que a senhora pagou um dinheiro pra o motorista e que ele apesar de nos ter dado uma legítima carona, ele fazia lotação e cobrava por isso. Nem falou sobre dinheiro conosco, ainda bem.

Já nessa cidade a coisa fai mais difícil.(esse post tá ficando engraçado com todas essas cidades anônimas, mas isso é o resultado de viajar sem mapa) É que estávamos meio que na entrada da cidade, e não na saída. Resolvemos isso com uma boa caminhada. E já na saída nos parou um carro aberto. Jogamos nossas mochilas atrás, e a Theresa veio no meu colo. Dessa o nosso motorista era um micro-empresário, trabalhava com informática, o que ajudou bastante na nossa empatia. Ele nos levou pra a nossa cidade de dormida, essa eu lembro o nome - Sobral - terra da ilustre cantor Belchior, quem já teve vídeos e textos aqui no blog, Sobral também é a terra do Didi, o Renato Aragão.

Sobral era uma cidadezinha gostosa, grande e pequena ao mesmo tempo. Não tivemos tempo de perambular muito por ela. Só conhecemos o caminho da lan house e da padaria, onde encontramos uma sopa de R$ 1,95. Sopa é uma boa pedida pra viajantes vagabundos com poucos trocados no bolso. Decidimos comprar um pacote de leite pra ser nosso café da manhã, combinamos que seria nossa única refeição matinal de amanhã.

Dois moto-taxi nos levaram por R$ 2,00. No caminho o motoqueiro comentou comigo:
- Todo cara que vem de Natal é mala. - ele se referia à minha condição de vagabundo-andante-new-beatnick e seguido por uma linda oriental que não fala português e parecia ter uma grande afeição por mim.

Fomos deixado em um posto de gasolina horrível, cheio de prostitutas de travesti. Não era com certeza um bo lugar pra acampar. Mas fomos informados que logo a frente tinha um outro posto muito mais bem frequentado. E de fato era, muitos caminhões e um lugar razoável pra colocar minha barraquinha.

A surpresa da viagem veio no dia seguinte. Depois de muito tempo insistindo em frente ao posto sem sucesso, e de descobrir que nosso café da manhã, o leite, estava azedo (comemos biscoito), seguimos até o tal posto que antes estava cheio de putas. Agora ele era o ponto ideal pra pedir carona. A surpresa demorou mas chegou, nossa carona em um caminhão bi-trem habilimente pilotado por uma mulher! Isso mesmo! E pra completar nossa felicidade, ela ia pra Teresina, nosso próximo destino. A viagem seguiu divina com boas conversas, boas músicas e um caminho difícil por cima de uma cerra com vários trechos com deslizamento.

Em um posto que paramos pra comer alguma besteira. Me ofereceram uma tal de uma enraizada, e ainda me deram um chá poderoso que servia pra melhorar a capacidade de ereção do homem. Caramba... sem comentários! A viagem acabou bem, chegamos de noite em Teresina. Onde aproveitamos uma festinha particular de alguns amigos.

No dia seguinte, pra minha tristeza a Theresa decide me deixar. Devido a problemas nos Estados Unidos, ela foi obrigada a chegar mais cedo em casa, e tomou um ônibus pra Belém.

Agora estou novamente só, em Teresina, e me preparando pra Belém! Pesquisei sobre as formas de transporte de lá pra Manaus, e esse trecho terá que ser feito realmente por barco. Será que conseguirei caronas?

(As fotos desse trecho que fizemos de Fortaleza a Teresina estão com Theresa, vou pedir pra ela e posto em seguida.)

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Mapa de amanhã!


Exibir mapa ampliado

Ainda sem tempo pra postar textos maiores. E repensando no formato do Blog.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Novas estradas!

Estou rumando hoje pra o norte! Não sei o que me espera, mas de estrada já conheço um bocadinho. Primeira direção: Lima - Peru.


Novidade: http://twitter.com/halanpinheiro

Domingo, 7 de Junho de 2009

Conto: Perritos

Como sempre, reinventando esse blog. Espero que essas reinvenções não sejam meras costuradas em rombos. Recém estou escrevendo alguns contos, que não fazem parte do meu livro, mas segue o meu estilo e imaginário. Como eu tenho muito a ver com esse blog (!), acredito que trazer um pouco dessas novidades pra cá não é fora de escopo. Aí segue o primeiro conto:

O Pacífico naquela parte do continente estava calmo como sempre. Várias pessoas, mesmo sem usar roupas de banho, sentavam na areia da praia de Acapulco. Fitavam as geladas e suaves ondas que vinham do mar. Perto da praia, havia uma praça, que ficava um pouco depois do cassino. O lugar era arborizado, e bem frequentado. Era esse o lar de vários cachorros de rua. Quase todos eram bem grandes, geralmente de cor escura e variações de pardo. Se organizavam em matilhas, que se comportavam como gangues de rua. Muitas coisas eram por conta de cada um. Costumavam saquear, hora em grupo, hora individualmente. As vezes passavam por maus bocados. Nem sempre tinham comida fácil. Na verdade quase sempre só se comia uma ou duas vezes por dia. Sendo que a refeição mais farta era a da madrugada. Onde todos os cachorros saiam a revirar lixo pela cidade. Em busca de qualquer pedaço de material orgânico, de onde possa ser retirado algum valor nutritivo pra que se mantenha vivo no outro dia. Muitos dos dias, principalmente no período do fim da manhã, era preferível dormir em uma sombra e esquecer das necessidades do corpo. Economizar energia era fundamental para a sobrevivência. Assim era a rotina dos cães de rua de Viña del Mar.

Já era noite quando começou uma certa agitação em uma das matilhas. Um inimigo tinha invadido o território deles. Era um cão de outra região, que por algum motivo desconhecido foi encontrado passeando por ali. Logo aquela gangue de cães responsável pelo lugar se pôs no caminho do coitado, que não parecia ter más intenções.

Em seguida apareceram três homens, que pareciam caminhar normalmente como todos os outros. Mas um deles fez um gesto ofensivo para um daqueles cachorros, que desconfiado, mudou seu alvo e revidou contra o homem, mas não se aproximou tanto. Era o líder da matilha. Latiu tão forte que todos os outros perceberam, e logo abandonaram o alvo anterior. Aquele desgraçado e acoado cão que ninguém sabia de onde saiu, aproveitou o incidente e sumiu dali.

O grupo de cães enfurecidos arrodeou o ousado rapaz e tentaram intimidá-lo. No começo ele não levou tão a sério. Os outros dois que estavam com ele, saíram de perto e ficaram rindo. Quando ele viu que a coisa estava ficando séria, já com alguns cachorros batendo os dentes e fazendo movimentos bem agressivos, e alguns deles já até se aproximando sem serem percebidos. Ele sacou um pau e começou a girar. Mas não teve coragem de bater nos cães. Talvez se tivesse feito isso não teria sido perdoado. Os animais mantinham uma distância segura, e sem se mostrarem inferior foram recuando cada vez mais. Assim, aquele homem se safou e saiu ainda com a arma na mão.
Foi aí que de repente a matilha virou-se para um dos cães do próprio grupo, e o atacaram de forma repreensiva. Era o covarde do grupo. Durante o enfrentamento com o homem, ele tinha ficado longe, com medo. Covardia não era perdoado naquele meio. Na rua, ou se mata ou se morre. Naquele dia estavam todos a mil. O animal rejeitado conseguiu fugir mesmo assim. Seguindo sem destino por entre aquelas frias ruas de um fim de sábado.

Era um animal grande, negro. Tinha sido parido por ali em qualquer canto, por uma cadela de rua que morreu afogada na praia de Reñaca. Apesar de sua costumeira covardia, em sua vida já havia conseguido fecundar algumas fêmeas. Mas normalmente cruzava com alguns outros machos também. As vezes pra não morrer, acabava sedendo ser penetrado por outro, e isso já nem o incomodava, apesar de não ser algo agradável. A vida nunca foi coisa simples. Em seu caminho não era raro brigas de rua e confusões diversas com outros cães, gatos ou seres humanos também. Nunca soube se um desses cachorros estranhos que já o feriu ou o sodomizou era alguma cria sua. Também não se sabe se alguma das fêmeas com qual conseguiu alcançar, fosse mais uma cria. Para cachorro é complicado saber certos detalhes. Para ele era muito mais valioso buscar comida do que uma fêmea. Quando aparecia uma no cio, as vezes mais de cinco animais lutavam e se feriam por ela, acabava copulando com dois ou mais, o que não era simples, devido a constantes interrupções. Como saber essas questões de filhotes? Era até ridículo notar esses detalhes. Cada um é cada um, e no mundo é cada um segurando sua própria onda. E que onda! Outra vez, ele fez parte de um grupo de cães que dominavam um cerro ali perto da praça. Mas uma vez foi atropelado por um carro. Depois disso não foi mais aceito pelo grupo que fazia parte, não se sabe bem o motivo. Agora se ele subir naquele cerro que um dia havia sido sua casa, corre o risco de morrer.
E mais uma vez se ver obrigado a mudar os caminhos de sua vida. O que seria dele agora sem o direito de viver naquele lugar que a tanto tempo já era sua casa? A praça do lado do cassino era como uma morada de luxo. Não era para qualquer bicho não. A vida de cachorro é assim, por um tris você não é mais aceito. Tem que sair com o rabo entre as pernas a perambular sem rumo por aí. Até encontrar o fim de tudo ou o começo de outra coisa.

Foi quando, desconsolado enquanto passava pela pequena ponte que dava acesso a praia de Acapulco. Encontrou duas criaturas familiares. Eram dois daqueles homens que ele tinha visto anteriormente. Os que tinham participado daquela confusão. Ele se adiantou com a calda balançando, e correu para o lado dos rapazes, que iam em sentido a Valparaíso. Ele continuou seguindo os dois, e tentou chamar a atenção de qualquer forma.

Logo foi percebido, e aceito naquele novo grupo:

- Veja, esse cachorro tá nos seguindo a um tempo já.
- Ele gostou de você.
- De mim? Não, gostou de você!

Um dos rapazes, o que provocou a confusão, seguiu chamando o cachorro, e assim foram os três. Costearam o mar, passaram pelo relógio e logo estavam saindo de Viña Del Mar.
- Cara, não tire esse cachorro do ambiente dele.

- Não estou fazendo muita coisa, ele quem quer vim.

O grupo seguiu por alguns poucos quilômetros até a entrada de Valparaíso. Logo na entrada, embaixo de uma passarela perto dos trilhos do trem, um cachorro daquela área, ao ver o invasor, se levanta e dispara ferozmente em direção ao grupo, latindo afim de impor sua autoridade sobre aquele lugar. Mas os humanos intervêem. Um deles bate o pé com força no chão e se coloca em uma posição ameaçadora para com o cão de Valparaíso. O animal não se atreve a dar um passo a frente. Enquanto isso, o vira-lata que tinha se aliado com os homens, ladra também se enchendo de coragem.

- Veja só, está todo confiante ao nosso lado, olha!

O grupo continuou e seguiram para um posto de gasolina para comprar um refrigerante. Não precisou nem explicar, o cachorro já sabia que não podia entrar ali. Ficou esperando ansioso do lado de fora. Mas do lado de fora, o cão do posto chegou latindo enfurecido com a presença daquele cachorro desconhecido. Os homens não demoraram tanto, logo voltaram e seguiram o caminho. Passaram por uma poça de água e esperaram o seu amiguinho saciar a sede.

Após passar por debaixo do viaduto, já se podia ver as ruas de Valparaíso, que estavam bem sujas nesse fim de sábado. Cheias de sacos de lixo soltos por todos os lados. Os homens seguiram a caminhada no mesmo ritmo de sempre. Mas a pobre criatura se afobou diante de tanta comida que aquela cidade podia oferecer. E enlouquecido saia de lixo em lixo procurando resíduos que possam ser aproveitados. Hora se perdia dos homens, hora tornava a encontrá-los. A amizade entre o grupo já estava bem firme, e tanto cão quanto homem percebiam isso.

A fome era grande, e apesar de muito lixo solto, nem tudo era comida. O pobrezinho frenético adentrava nos becos e ruelas buscando algo para comer. Seguia naquele ir e voltar. Sempre vigiando para que os seus amigos não se afastem. Até que em uma dessas idas, ele não viu mais seus amigos humanos. Não viu nunca mais!

Pela manhã do outro dia, aqueles dois vinham voltando para Viña Del Mar. Como de costume, vinham a pé. Pareciam já ter esquecido aquele alegre amigo da noite passada. Até que encontraram no caminho, um cachorro morto no acostamento.

- Será que era aquele cão preto de ontem?
- Tá parecendo. Olha aquela marca no pescoço dele, ele tinha uma igual.
- Eu te falei pra não tirar esse bicho do lugar dele...
- Espere um pouco... não, me enganei. Acho que não é ele não...

E os dois seguiram suas vidas normalmente em suas rotinas comum.

Sábado, 9 de Maio de 2009

Caroneiros no mundo todo!



Gosta desse blog? Bom... Mas não sou o único caroneiro que tem um blog e escreve sobre o assunto. Digo isso porque conheci alguns leitores do meu blog que não conheciam outros blogs do gênero. Bem, a muito tempo (talvez desde o comecinho desse blog), esse blog está listado no 'Planeta Carona', se trata de uma coleção de blogs de caroneiros do mundo todo!

Vale a pena conferir! Que eu saiba o meu é o único no 'Planeta Carona' em português, mas que bom que surjam mais...

Segue o link

Que sea lo que sea!

Ouvindo o CD inclassificáveis do Ney Matogrosso me surpreendi com uma música em espanhol, a letra começava dizendo: "Já estou na metade dessa estrada...". A letra é muito interessante, e tem muito a ver com o espírito desse blog. Como esse sempre foi um blog espontâneo e musical segue um clipe amador que encontrei no youtube com a música cantada sem o sotaque brasileiro (misturado com o sotaque argentino/uruguaio da música) do Ney Matogrosso. A letra é do Jorge Drexler.



Ya estoy en la mitad de esta carretera
Tantas encrucijadas quedan atrás
Ya está en el aire girando mi moneda
Y que sea lo que
Sea



Já eu estou na metade desta estrada
Tantas encruzilhadas ficam pra trás
Já está girando no ar minha moeda
E o que tiver que ser
Será


Todos los altibajos de la marea
Todos los sarampiones que ya pasé
Yo llevo tu sonrisa como bandera
Y que sea lo que
Sea



Todos os altos e baixos da maré
Todas as provações que já passei
Eu levei o seu sorriso como bandeira
O que tiver que ser
Será

Lo que tenga que ser, que sea
Y lo que no por algo será
No creo en la eternidad de las peleas
Ni en las recetas de la felicidad



O que tiver que ser, que seja
E o que nada possa ser
Não acredito na eternidade dos combates
Nem nas receitas de felicidade

Cuando pasen recibo mis primaveras
Y la suerte este echada a descansar
Yo miraré tu foto en mi billetera
Y que sea lo que
Sea



Quando a primavera chegar
E, a sorte estiver fadada a descansar
Olho a sua foto na minha carteira
E o que tiver que ser
Será

Y el que quiera creer que crea
Y el que no, su razón tendrá
Yo suelto mi canción en la ventolera
Y que la escuche quien la quiera escuchar



E, o que queira acreditar, acredite!
E o que não, sua razão entenderá
Eu solto minha canção num redemoinho
E que escute quem a queira escutar

Ya esta en el aire girando mi moneda
Y que sea lo que
Sea



É no ar estou virando minha moeda
E o que tiver que ser
Será

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Entrevista com Kasper Souren (parte 2)

(Continuando a entrevista com Kasper Souren...)

Halan Pinheiro: Você tem alguma história curiosa de estrada? Nos conte uma. Por exemplo, na China...

Kasper Souren:
Na China eu viajei de carona junto com Amylin, conheci ela no CouchSurfing Colective em Montreal. Por duas vezes fomos convidados a restaurantes por nossos motoristas. A primeira vez, houve uma grande panela com uma carne estranha dentro. O cara pegou meu dicionário e apantou a a palavra chinesa para cachorro.
Na outra vez Amylin passou um bom tempo tentando explicar a família que nos levava (e dois colegas de trabalho do pai) que nós não comemos carne ou produtos derivado de animais. Logo que chegamos ao restaurante tirarão um peixe enorme, maior que meu braço, pra fora do aquário, jogaram no chão e começaram a bater nele com um taco de baisebol. Enquanto Amylin ficava louca da vida correndo ao redor sem saber o que fazer.

Halan: Você ler ou escuta alguma coisa na estrada?

Kasper:
Eu costumava ler um monte de livros bilíngues, Francês-Russo, Francês-Espanhol, Francês-Português. É uma ótima forma de aprender idiomas enquanto ler alguma literatura (Dostoievisk, Borges). Também leio alguns livros eletrôncos - é a forma mais fácil de carregar toneladas de livros comigo. E eu gosto de ouvir o curso de idiomas Pimsleur, é um ótimo jeito de estudar a pronunciação e uma ótima saída para matar o tempo enquanto espera por caronas no lugar sem muito tráfico. Eu também levo uma harpinha judia, um instrumentozinho de metal que eu sempre perco. Sempre eu compro um novo e primeiro quebro o a parte do metal perpendicular que vai pra o bolso.

Halan: Como foi viajar aqui na América do Sul? Existe alguma diferença peculiar?

Kasper:
Na América do Sul as estruturas de classes sociais são bem mais aparentes. Também é um continente muito conveniente em termos de comunicação. Quando eu estive aí, só falava um pouqinho de espanhol (e um pequeno dicionário), mas era o suficiente pra me iniciarem.

Halan: Sobre seu trabalho na internet, HitchWiki, como você começou?

Kasper:
Eu adoro wikis, e adoro pegar carona também. Então teve um momento que pensei, ei, vamos ver se existe um wiki sobre pegar carona. E existia um!
Infelizmente tinha sido abandonado pelo seu fundado finlandês. Eu eraz o único a continuar e trabalhar nesse wiki mesmo sem uma conta de administrador.
Então quando bot de spam encontrou ele eu tive que pegar todas as informações e tirar dali para um outro lugar. Eu coloquei ele no Wikia. Eles têm anúncios do Google, mas eu não gosto de anúncios, e também não dava muito pra personalizar o wiki lá. Mais ou menos em outubro, novembro de 2006, MrTweek e eu decidimos mover tudo para hitchwiki.org e a pequena comunidade que tinhamos no Wikia alegremente nos acompanharam.
Eu gosto de projetos sem muitas regras ou burocracia, então eu fico muito contente que hitchwiki (ainda?) não tenha tomado o mesmo caminho que a Wikipedia tomou. Nesse meio tempo, nós também iniciamos alguns outros projetos, como trashwiki.org (sobre reciclagem de lixo) e o sharewiki.org (sobre compartilhar coisas). Por enquanto a maioria é uma galera com a mesma mentalidade.

Halan: Sobre o 888/789? Como começou a idéia? O ponto inicial foi o Hitchwiki?

Kasper:
Eu acho que a idéia veio de Fabrice Renucci, em seguida eu e Robino trouxemos para o hitchwiki, utilizando como plataforma para organizá-lo. É claro, muitas outras pessoas se juntaram e fizeram com que isso aconteça. Na verdade, é melhor perguntar para eles mais coisas sobre esse projeto - eu não estive fisicamente no 888.

Halan: Por que o mês 8?

Kasper:
É verão porque, é mais quente.

Halan: O que você espera do 789?

Kasper:
Espero uma boa participação do pessoal da Rússia


Halan: Eu vi um outro projeto seu, chamado OpenCouchSurfing? O que é esse projeto?

Kasper:
Em Julho de 2006 eu tinha um vôo do Equador para Nova Yorque para participar da conferencia da Wikipedia. Então eu decidi ir a Montreal para participar do primeiro CouchSurfing Colective e ver no que eu podia ajudar, foi logo após o grande "crash" do CouchSurfing naquele verão. Meu primeiro plano foi a criação de um wiki, daí eu pedi para o Casey (fundador do CouchSurfing) e ele disse, "faça". O CouchSurfing Wiki nasceu assim. Claro, haviam muitos bugs no site, daí eu me adiantei e comecei a corrigí-los.
Depois de dois mêses Casey me perguntou se eu queria entrar pra coordenação da equipe técnica. Entrei.
Em outubro, eu voei para Nova Zelandia para o colective que houve lá. E lá tinham várias pessoas extremamente brilhantes que estavam muito interessados em trabalhar no CouchSurfing. Pessoal altamente qualificado, gente que trabalhava com MySQL, Google e iniciativas na internet. Eles viram minhas ideias sobre Software Livre, sobre cooperação - Eu tenho partes do manifesto dotCommunist de Moglen no meu perfil do CouchSurfing. Então eles pensaram que o CouchSurfing estava indo para esse lado e as idéias nunca cristalizadas, nós (técnicos) todos pensavam que o couchsurfing poderia se tornar uma plataforma de criação social. Infelizmente percebi que o Casey e seus amigos preferem manter um controle apertado sobre a organização e especialmente os recursos.

No começo o OpenCouchSurfing foi um esforço para mobilizar e organizar pessoas, para criar um movimento para uma abertura maior no CouchSurfing. Mas isso não conseguiu trazer nenhuma mudança dentro do CouchSurfing, possivelmente teve foi um efeito averso, mas nós deixamos permanecer como uma fonte de informação para as pessoas que cuidam, agora pessoas que iniciaram como voluntários no CouchSurfing (não digo como embaixadores de cidade, digo dos que escrevem código, trabalham diretamente no coletivo) podem se informar previamente das questões que pode esperar.